Abordagem

O diagnóstico de tireoidite subaguda baseia-se principalmente na suspeita clínica. Às vezes, podem ser necessários exames laboratoriais e de imagem para confirmar o diagnóstico.

Sintomas e sinais

Os pacientes frequentemente relatam uma história de início relativamente abrupto de uma doença semelhante à viral, com febre >38 °C (100.4 °F), mialgia, mal-estar e faringite, além de sintomas concomitantes de tireotoxicose, como palpitações, tremor e intolerância ao calor.[1]

A dor cervical pode se desenvolver ao longo de vários dias até algumas semanas e evoluir para uma intensa dor na região anterior do pescoço sobre a glândula tireoide, que pode migrar de um lado do pescoço para o outro (denominada "tireoidite migratória").[27] JTA: guideline for the diagnosis of subacute thyroiditis (acute phase) Opens in new window​​ A dor pode irradiar para a mandíbula ou orelhas e mimetizar uma infecção respiratória superior, dental ou otológica.[4][28]

Avaliação clínica

Ao exame, o paciente tipicamente apresenta aspecto doente, taquicardia e glândula tireoide aumentada, firme e extremamente sensível à palpação.

A fase tireotóxica da doença pode atingir a intensidade máxima em até 3-4 dias e depois diminuir e desaparecer em até uma semana. Normalmente, seu início é gradual e se estende por 1-2 semanas, após as quais a condição continua com intensidade variável por até 3 meses.[2] ATA: thyroiditis Opens in new window​​

Ocasionalmente, os pacientes podem:[5]

  • apresentar febre de origem desconhecida ou sintomas de tireotoxicose, mas sem dor ou sintomas semelhantes aos de uma doença viral

  • ser assintomáticos, com níveis elevados de hormônio tireoidiano no soro

  • raramente, os pacientes apresentam tireoide firme, mas sem febre ou dor, ou apenas tireotoxicose bioquímica.

Investigações iniciais

Os exames laboratoriais incluem hemograma completo, proteína C-reativa e/ou velocidade de hemossedimentação (VHS), além de testes de função tireoidiana quando houver suspeita de tireoidite aguda.[28]

  • Hemograma completo: anemia leve e aumento da contagem leucocitária são comuns.[4][28] JTA: guideline for the diagnosis of subacute thyroiditis (acute phase) Opens in new window

  • Proteína C-reativa: marcador inespecífico de inflamação, elevada

  • VHS: marcador inespecífico de inflamação, elevada

  • Testes de função tireoidiana: durante a fase tireotóxica inicial, os níveis séricos de tri-iodotironina (T3) e tiroxina (T4) estão elevados; o hormônio estimulante da tireoide (TSH) está suprimido (<0.01) mUI/L).[4][28]​ À medida que a tireoidite evolui para a fase hipotireoidiana, o T4 sérico estará baixo, enquanto o TSH poderá ser variável, mas geralmente estará elevado ou normal. Na fase final de recuperação, a maioria dos pacientes retorna à função tireoidiana sérica normal.

Exames de imagem

Incluem cintilografia e ultrassonografia.

Captação de iodo radioativo (RAIU)

Confirma de forma confiável o diagnóstico de hipotireoidismo subagudo na fase tireotóxica. A RAIU pode ser obtida se o quadro clínico e os testes de função tireoidiana sérica não forem suficientes para o diagnóstico.

Na fase tireotóxica, a cintilografia demonstra baixa captação tireoidiana (I-123 ou 99mTc-pertecnetato), tipicamente <1% a 3% em 24 horas.[4][9]​ As outras etiologias associadas à dor na tireoide, como um nódulo cístico ou hemorrágico ou infecção na tireoide, apresentam-se tipicamente com função tireoidiana normal, captação de iodo radioativo normal e uma cintilografia da tireoide mostrando uma zona fria correspondente ao cisto ou infecção.

Observe que pacientes com tireoidite supurativa aguda potencialmente fatal podem apresentar tireotoxicidade bioquímica com baixa captação de radioiodo durante a fase tireotóxica.[29][30]

Ultrassonografia da tireoide

Pacientes com tireoidite subaguda dolorosa apresentam áreas de ecotextura hipoecoica heterogênea mal definida, com margens irregulares nas áreas da glândula tireoide que são dolorosas.[1][4][28]​​​[31][32][33][34]​​​​ O fluxo sanguíneo normal ou diminuído pode ser evidente na ultrassonografia com Doppler colorido.[1]

A ultrassonografia não é suficientemente específica para confirmar o diagnóstico de tireoidite subaguda; os achados podem ser semelhantes à aparência ultrassonográfica da tireoidite crônica ou de nódulos tireoidianos suspeitos.[34]​ Portanto, a ultrassonografia não deve ser usada isoladamente para o diagnóstico de tireoidite subaguda.

A elastografia ultrassonográfica demonstra que as lesões da tireoidite subaguda podem apresentar um escore de elasticidade basal elevado em comparação com nódulos benignos de um bócio multinodular ou tireoidite autoimune crônica.[35][36]​ No entanto, em um estudo, essa modalidade de imagem não conseguiu distinguir entre tireoidite subaguda e câncer de tireoide.[35]

A biópsia raramente é necessária

A biópsia não é realizada rotineiramente.[4]​ O diagnóstico de tireoidite subaguda pode ser feito com base na história clínica, exame físico, dados laboratoriais e, se necessário, na RAIU.[4]

A citologia (biópsia por aspiração com agulha fina) pode ser útil para confirmar um diagnóstico clínico nos seguintes casos:

  • alta captação de iodo (por exemplo, um paciente que recebeu recentemente contraste iodado para um exame radiológico [nos últimos 2 meses, aproximadamente])

  • uso recente de um medicamento rico em iodo (por exemplo, amiodarona [nos últimos 6 meses, aproximadamente]).

A saturação da capacidade da tireoide de absorver iodo radioativo nesses cenários pode levar a uma captação falsamente baixa.

As características citológicas compatíveis com tireoidite subaguda incluem células gigantes multinucleadas, células epiteliais foliculares degeneradas, granulomas epitelioides e células inflamatórias mistas.[37][38][Figure caption and citation for the preceding image starts]: Cintilografia com iodo radioativo I-123 mostrando ausência de captação tireoidiana na fase tireotóxica da tireoidite subaguda; a seta indica o marcador da fúrcula esternalDo acervo pessoal da Dra. Stephanie Lee [Citation ends].com.bmj.content.model.Caption@6a12dc73[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Evolução clínica da tireoidite subaguda: medições de TSH sérico, T4 sérico e captação de I-123 pela tireoide durante as fases tireotóxica, hipotireoidiana e eutireoidianaCriado pela Dra. Stephanie Lee [Citation ends].com.bmj.content.model.Caption@35b5da5a

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