Abordagem

Diretriz confiável

ebpracticenet recomenda que você priorize as seguintes diretrizes locais:

Alcoholmisbruik bij jongerenPublicada por: Federaal Wetenschapsbeleid (Belspo)Última publicação: 2015Alcoholmisbruik bij jongerenPublicada por: Federaal Wetenschapsbeleid (Belspo)Última publicação: 2015

Os problemas relacionados ao álcool são uma fonte significativa de morbidade e mortalidade. A identificação precoce do uso não saudável de bebidas alcoólicas pode reduzir a morbidade e a mortalidade. O rastreamento para uso não saudável de álcool em diversos cenários, incluindo atenção primária, saúde geral e saúde mental, pode ajudar os médicos a identificar um uso não saudável de bebidas alcoólicas, realizar intervenções breves para aqueles com uso de risco e tratar o transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas.[41][42][43]​ Uma história característica, achados do exame físico e exames laboratoriais podem ser úteis no diagnóstico do transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas.

História/entrevista

Ao discutir o uso de bebidas alcoólicas, é importante adotar uma abordagem imparcial e sem julgamentos, que respeite as circunstâncias e a sensibilidade da pessoa.[3][43]​ A maneira como um médico faz uma pergunta afeta a resposta do paciente. Os pacientes podem ficar ansiosos em relação a discutir o assunto, e os médicos podem relutar em aborrecer o paciente ou não saber como abordar a conversa. Os pesquisadores categorizaram quatro tipos de perguntas comumente feitas quando se discute o uso de substâncias: abertas (“Conte para mim como você bebe”); normalização (“Quando foi a última vez que você bebeu?”); fechadas (“Você bebe?”); e as direcionadas ao não uso (“Agora você não está bebendo, está?”).[44]​ As perguntas abertas e de normalização tiveram a maior sensibilidade, enquanto as perguntas fechadas e direcionadas deixaram de identificar mais de 50% dos pacientes que estavam em uso de substâncias. Além disso, é importante usar uma linguagem que priorize a pessoa e não estigmatize (por exemplo, pessoa com transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas e não alcoólatra, viciado ou bebedor) para obter a melhor história e incentivar a confiança e o envolvimento no tratamento.[3]

​O questionário de item único para rastreamento do álcool (SASQ) e o Alcohol Use Disorders Identification Test-Consumption (AUDIT-C) foram validados como ferramentas sensíveis e específicas para a identificação do uso não saudável de bebidas alcoólicas.​[41][42]​ O SASQ pode ser útil nos cenários gerais e de atenção primária, onde pode ser facilmente integrado nas entrevistas clínicas.[42]​ Ele pergunta quantas vezes no ano passado alguém tomou 4 ou mais doses de álcool por dia (para mulheres) ou 5 ou mais doses de álcool por dia (para homens). Qualquer resposta diferente de 0 é considerada consistente com um uso não saudável de bebidas alcoólicas. O AUDIT completo é um rastreador de 10 perguntas desenvolvidas pela Organização Mundial da Saúde que foi traduzido para vários idiomas diferentes.[45][46] [ Questionário AUDIT para rastreamento do consumo de álcool Opens in new window ] ​​​​​​​​ Um escore de 8-15 pode indicar uso arriscado de bebidas alcoólicas; de 16-19, transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas leve; e ≥20, provável transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas moderado a grave. A versão mais curta de três perguntas, AUDIT-C, demonstrou precisão comparável e é recomendada para rastreamento de uso não saudável de bebidas alcoólicas.[41][42][47]​​ Ele questiona a frequência do consumo de bebidas alcoólicas no ano anterior, as bebidas típicas por ocasião de consumo e a frequência de episódios de consumo excessivo de bebidas alcoólicas. O AUDIT-C pode ser selecionado (em preferência ao SASQ) quando informações mais detalhadas sobre o uso de bebidas alcoólicas são necessárias, e demonstrou predizer a probabilidade de desfechos adversos na saúde.[42]

Após um rastreamento positivo usando o SASQ ou o AUDIT-C, um rastreamento secundário com o uso do AUDIT pode ser considerado.[41]​ Entretanto, uma entrevista usando os critérios do DSM-5-TR é necessária para diagnosticar o transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas.[4][42]​​​ Consulte Critérios.

A Entrevista Clínica Estruturada para DSM (SCID) pode auxiliar na avaliação do diagnóstico.[48]​ Informe-se sobre: frequência do uso de bebidas alcoólicas; número e tipo de bebidas; tempo gasto na obtenção, uso e recuperação dos efeitos do álcool; desejo ou esforços para reduzir o uso de bebidas alcoólicas; qualquer tentativa de reduzir ou interromper o uso de bebidas alcoólicas; uso de bebidas alcoólicas em situações arriscadas; efeitos das bebidas alcoólicas sobre as atividades sociais, ocupacionais e recreativas; efeitos sobre as relações interpessoais; capacidade de cumprir obrigações em casa e no trabalho; quaisquer problemas físicos ou psicológicos que possam ser causados ou exacerbados pelo uso de bebidas alcoólicas; e sintomas de tolerância ou abstinência.

Informe-se sobre sintomas de outras condições psiquiátricas e o uso de outras substâncias. O transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas está associado a um aumento do risco de transtornos por uso de substâncias, depressão maior, transtorno afetivo bipolar, transtorno de personalidade antissocial, transtorno de personalidade limítrofe, transtorno de ansiedade generalizada, fobias específicas e transtorno de pânico.[13]​ As pessoas que vivem em privação socioeconômica também têm maior probabilidade de sofrer danos relacionados ao álcool.[7]​​[10][12]

Exame físico

Embora o diagnóstico de transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas seja feito por uma anamnese abrangente e compassiva, o exame físico pode ajudar a estabelecer estigmas do uso de bebidas alcoólicas.

  • Os sinais vitais podem revelar taquicardia e/ou hipertensão.

  • Quando ocorre cirrose devido à ingestão de bebidas alcoólicas, outras características podem estar presentes, incluindo baixo peso/anorexia; icterícia; fígado aumentado e sensível à palpação ou tamanho do fígado diminuído; e ascite.

  • Pode haver a presença de indicadores de danos neurológicos relacionados ao uso de bebidas alcoólicas em excesso. Eles podem incluir alterações sensoriais (neuropatia periférica, sobretudo nos membros inferiores), sensibilidade muscular à palpação (miopatia) e uma marcha de base ampla.

Para os pacientes com medidas de sinais vitais elevados e um período recente de diminuição do uso de bebidas alcoólicas, é indicada uma avaliação para abstinência. A Clinical Institute Withdrawal Assessment for Alcohol (CIWA-Ar) revisada é um instrumento de avaliação padrão utilizado para quantificar a gravidade dos sintomas da abstinência alcoólica.[49] Clinical Institute Withdrawal Assessment of Alcohol Scale, revised (CIWA- Ar) Opens in new window​ Os pacientes com um escore de 8-10 ou superior na CIWA-Ar geralmente são tratados com agentes farmacológicos a fim de se diminuir a intensidade da síndrome de abstinência alcoólica. [ Cochrane Clinical Answers logo ] [ Cochrane Clinical Answers logo ] ​ Consulte Abstinência alcoólica (Manejo).

Exames laboratoriais

Não há exames laboratoriais para diagnosticar o transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas. No entanto, vários exames podem ser úteis na identificação de sequelas relacionadas a bebidas alcoólicas e para acompanhar o progresso do paciente. Dado que nenhum exame laboratorial é diagnóstico, uma história é sempre indicada.

  • Os níveis de álcool (etanol) no sangue, hálito ou outros fluidos corporais podem fornecer informações sobre as atuais concentrações de álcool no sangue.[50] Uma alta concentração de álcool no sangue (por exemplo, >200 mg/dL) com sinais mínimos de intoxicação pode indicar tolerância aos efeitos do álcool, mas não diagnostica um transtorno decorrente do uso de bebidas alcoólicas.

  • Diversos exames podem identificar a exposição cumulativa a bebidas alcoólicas durante longos períodos. Os testes da função hepática (alanina aminotransferase [ALT], aspartato transaminase [AST] e gama-glutamil transpeptidase [gama-glutamiltransferase]) podem ser úteis na avaliação dos danos hepáticos. A gama-glutamiltransferase elevada, em particular, está relacionada ao consumo de álcool e, às vezes, é usada para monitorar o comportamento em relação ao consumo de bebidas alcoólicas. Na experiência dos autores, a gama-glutamiltransferase deve se normalizar dentro de 2-6 semanas de abstinência, enquanto a AST e a ALT permanecem elevadas por períodos variáveis e podem não retornar aos níveis basais.

  • O teste de etilglicuronídeo na urina por cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas pode detectar níveis muito pequenos de álcool na urina vários dias após o consumo, mas o uso acidental de produtos contendo álcool (por exemplo, antissépticos para as mãos, cosméticos, etc.) pode levar a falsos-positivos.[51]

  • O fosfatidiletanol (PEth) é o produto do etanol e da fosfatidilcolina que se acumula na membrana dos eritrócitos após várias semanas de uso contínuo de bebidas alcoólicas. Ele pode demonstrar um consumo recente de bebidas alcoólicas, com níveis que se correlacionam com os níveis de consumo de maneira aproximada. O PEth se normaliza dentro de 2 a 5 semanas de abstinência.[51][52][53]

  • Um hemograma completo pode demonstrar macrocitose, mesmo que a vitamina B12 e o folato estejam normais, como resultado da supressão da medula óssea pelo uso excessivo de álcool. A sensibilidade é baixa, portanto o volume corpuscular médio (VCM) precisa ser avaliado em conjunto com outros testes. O VCM se normaliza dentro de 3 a 4 meses de abstinência.[51][53]​​ Neutropenia e trombocitopenia também podem ser aparentes.

  • A transferrina deficiente em carboidrato (TDC) sérica é um biomarcador do uso prolongado de álcool, o qual reflete a inibição do álcool na transferência de açúcares para glicoproteínas.[54] A TDC tem especificidade razoavelmente boa, mas baixa sensibilidade, e precisa ser interpretada no contexto de outros biomarcadores e da história clínica.[43][51][52]

O uso deste conteúdo está sujeito ao nosso aviso legal