Complicações
Pneumonia pode ocorrer em pacientes com ventilação comprometida e está associada a alta mortalidade no caso de trauma torácico.[106] A pneumonia ocorre em cerca de 33% dos pacientes com idade >65 anos com fraturas de costela.[44] A pneumonia é a causa mais comum de morbidade e mortalidade associada a fraturas de costela.[51]
Ocorre em 14% a 37% dos pacientes com fraturas de costela.[17][23][24] Apresenta-se principalmente como uma dispneia súbita, tosse seca, cianose e dor no tórax, nas costas e/ou nos braços.
Em feridas torácicas penetrantes, o som de ar fluindo pela perfuração pode indicar pneumotórax, daí o termo "ferida torácica aspirativa". Ocasionalmente, ouve-se também o som de "flip-flop" de um pulmão perfurado. Pode ocorrer enfisema subcutâneo. Se não tratada, a hipóxia e a insuficiência do retorno venoso sistêmico (pneumotórax hipertensivo) podem causar perda da consciência e morte por colapso circulatório.
O tratamento envolve drenagem do pneumotórax, com a inserção de um dreno torácico ou de um cateter pleural. Raramente, a toracotomia pode ser necessária em alguns pacientes para reparar lacerações nos pulmões ou nas vias aéreas.
Ocorre frequentemente com fraturas de costela. São achados típicos ao exame físico: taquipneia, cianose, murmúrio vesicular reduzido ou ausente no lado afetado, desvio traqueal para o lado não afetado, ressonância maciça à percussão, elevação desigual do tórax, taquicardia, hipotensão e pele pálida, fria e sudorética. O tratamento envolve drenagem do hemotórax, geralmente com dreno torácico, mas ocasionalmente requer cirurgia toracoscópica videoassistida ou toracotomia. A cirurgia também pode ser necessária para hemostasia.
Ocorre em cerca de 17% dos pacientes com fraturas de costela.[17] Resulta do trauma torácico contuso de alto impacto, causando edema, acúmulo de sangue nos espaços alveolares e perda da estrutura e da função pulmonares normais.[61] Desenvolve-se ao longo de 24 horas, causando troca gasosa deficiente, aumento da resistência vascular pulmonar e complacência pulmonar reduzida. O efeito final é hipoxemia, hipercapnia e aumento do esforço respiratório.[44] A contusão pulmonar está associada a um aumento do risco de pneumonia, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e hipoxemia com necessidade de suporte ventilatório.[53][111] Radiografia torácica ou tomografia computadorizada (TC) são usadas para determinar a complicação. A radiografia torácica pode mostrar áreas irregulares de consolidação com aspecto nebuloso, enquanto a TC pode mostrar áreas focais de opacificação não segmentar com aspecto nebuloso, mais comumente no local da lesão, em locais de contragolpe e nas regiões paravertebrais.[61]
Ocorre frequentemente como resultado de trauma torácico contuso significativo. O tratamento de pacientes hemodinamicamente instáveis com potencial lesão aórtica inclui identificar e controlar rapidamente qualquer hemorragia contínua proveniente de outros locais e minimizar a labilidade da pressão arterial e grande estresse de cisalhamento na parede da aorta. Sinais clínicos de lesão aórtica traumática raramente estão presentes, e o diagnóstico é baseado no mecanismo da lesão e nos resultados dos estudos de imagem. São utilizadas radiografia torácica, tomografia computadorizada (TC), angiotomografia e angiograma.
A radiografia torácica pode mostrar alargamento do mediastino, borramento do botão aórtico, depressão do brônquio principal esquerdo e desvio traqueal/esofágico para a direita.[112]
Em pacientes com fraturas isoladas de costela, a dor está presente, mas diminui gradualmente ao longo de 4 meses. O tempo médio de afastamento do trabalho é de cerca de 70 dias depois do trauma torácico com ou sem lesões concomitantes.[107]
Dados retrospectivos sugerem que aproximadamente 30% dos pacientes que trabalhavam antes do trauma maior com fraturas nas costela só regressarão ao trabalho depois de 24 meses após a lesão.[108] Um estudo prospectivo com 139 pacientes com fraturas de costela (3% apresentavam tórax instável) constatou que, três meses após a lesão, 33% dos pacientes não estavam trabalhando com a mesma capacidade que tinham antes da lesão.[109] Um ano após a lesão, os pacientes apresentavam excelente bem-estar emocional e participação funcional, mas baixo bem-estar físico e recuperação precária (por exemplo, capacidade de praticar exercícios ou realizar atividades de lazer nos níveis pré-lesão). Quase 40% dos pacientes relataram algum grau de dor nas costelas e 29% não haviam retornado à capacidade de trabalho anterior à lesão.[110]
A formação de um trombo no sistema venoso pode ocorrer depois de um trauma, causando embolia pulmonar; podem ocorrer insuficiência cardíaca direita e parada cardíaca se a condição não for tratada de maneira agressiva.
A trombose dos vasos pulmonares também pode ocorrer devido a contusão direta.
A não consolidação de uma fratura de costela é rara, mas pode ocorrer. Pode ser tratada com fixação por placas.[113]
Trauma grave pode causar síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Há um aumento significativo de pneumotórax, pneumonia e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), bem como de mortalidade, com o aumento do número de costelas fraturadas.[105] Os sintomas sugestivos da SDRA incluem início agudo de dispneia e hipoxemia causando insuficiência respiratória aguda.
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