Epidemiologia

Choque séptico é a forma mais comum de choque em pacientes internados em unidade de terapia intensiva.[4] Estima-se que a incidência anual de choque séptico em adultos seja de 0.3 a 0.7 por 1000.[5][6][7][8] O choque também complica o infarto do miocárdio em 7% a 9% dos pacientes (choque cardiogênico).[9][10][11][12][13] O choque cardiogênico é responsável por 2% a 5% das apresentações de insuficiência cardíaca aguda, com uma prevalência em unidades de terapia intensiva de 14% a 16%.[14] Aproximadamente 70.000 a 80.000 pacientes com choque cardiogênico são internados na Europa e 30.000 a 40.000 são internados nos EUA por ano.[15]

O choque hipovolêmico é a forma mais comum de choque em crianças em todo o mundo, dada a taxa de doença diarreica nos países em desenvolvimento, especialmente entre as crianças.[16] Trauma, uma causa comum de choque hipovolêmico em todo o mundo, é a principal causa de óbito em pacientes com idade entre 1 e 44 anos nos EUA.[17]

Fatores de risco

A idade avançada está relacionada a uma crescente incidência de choque associado à sepse e ao infarto do miocárdio.[5][10] Tal associação é plausível, pois a idade avançada está associada com a diminuição da capacidade compensatória geral.

Cerca de 7% a 9% dos pacientes com infarto do miocárdio desenvolvem choque como complicação.[9][10][11][12][13]

A cardiomiopatia progressiva pode resultar em falha cardíaca e no desenvolvimento de choque cardiogênico.

O choque cardiogênico pode resultar da perturbação na função da valva cardíaca. Isso pode ocorrer após um infarto agudo do miocárdio com ruptura de um músculo papilar, endocardite com destruição da valva ou com estenose/dilatação crônica da valva.

As arritmias podem afetar diretamente a função da bomba alterando o tempo de enchimento e a coordenação entre os átrios e os ventrículos. O fluxo sanguíneo coronário ocorre durante a diástole, e as arritmias podem afetar o tempo gasto na diástole e, dessa forma, a perfusão coronária. As alterações do volume sistólico e da frequência cardíaca podem afetar diretamente a pressão arterial e, dessa forma, o desenvolvimento de choque.

O trauma pode causar lesão vascular, fraturas em osso longo e/ou ruptura de órgãos sólidos, o que pode resultar em hemorragia e choque hipovolêmico. O trauma torácico pode causar pneumotórax hipertensivo, podendo provocar choque obstrutivo. A perfuração do intestino pode resultar em peritonite e sepse secundária. A lesão cerebral traumática pode resultar em choque neurogênico (distributivo) e distúrbio dos mecanismos regulatórios cardíacos e respiratórios básicos.

Pode resultar em choque hipovolêmico após a hemorragia.

Um aneurisma roto da aorta abdominal geralmente causa um sangramento oculto no abdome. Podem ocorrer choque hipovolêmico rápido e morte, a menos que reparado por cirurgia ou métodos endovasculares.

Queimaduras extensivas resultam em grandes perdas de líquidos, já que a integridade da barreira cutânea é perdida. Isso pode resultar em choque hipovolêmico se as perdas não forem adequadamente substituídas. O estresse térmico pode resultar em hipovolemia por causa de sudorese e outras perdas insensíveis.

Diarreia e vômitos podem resultar em choque hipovolêmico se as perdas não forem repostas.

Perdas para o terceiro espaço podem resultar em choque hipovolêmico.

A incidência anual de choque séptico em adultos é de 0.3 a 0.7 por 1000.[5][6][7][8]

Isso pode causar vasodilatação maciça e choque vasogênico, ou incapacidade de atender a demanda de oxigênio celular, conforme observado com a toxicidade do monóxido de carbono.

A lesão espinhal ou do tronco encefálico pode causar perda da regulação simpática da vasculatura periférica, resultando em diminuição da resistência vascular sistêmica.

Insuficiência adrenal, hipopituitarismo e hipotireoidismo podem resultar em choque vasogênico devido à falta de regulação homeostática. Existem poucos sinais clínicos para identificar uma causa endócrina de choque, mas pode haver história pregressa de problemas endócrinos, e isso deve ser considerado quando não houver outras causas aparentes.

A embolia pulmonar causa restrição no fluxo sanguíneo para os pulmões, resultando em choque obstrutivo. Veja  Embolia pulmonar.

O tamponamento cardíaco, particularmente agudo, causa restrição do enchimento ventricular e diminuição do débito cardíaco. O tamponamento cardíaco pode ter uma das muitas causas, incluindo trauma, infecção ou doença autoimune. Veja  Tamponamento cardíaco.

Comorbidades podem aumentar a probabilidade de desenvolver um choque devido à habilidade reduzida do paciente de compensar o estresse trazido por uma doença adicional ou lesão. Pacientes que passaram por esplenectomia apresentaram um maior risco de infecção e choque séptico do que aqueles que não passaram por esplenectomia.[21]

Medicamentos como diuréticos, betabloqueadores e outros anti-hipertensivos podem estar implicados em estados de choque, causando uma combinação de hipovolemia, perda do tônus vascular e, potencialmente, depressão cardíaca ou bradicardia, resultando em falha na bomba. O choque anafilático pode resultar de uma reação a um novo medicamento ou a uma nova fórmula de um medicamento existente.

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