Abordagem

O quadro clínico de epididimite aguda normalmente é dor unilateral e edema do escroto. O diagnóstico diferencial mais importante a ser considerado é o de torção testicular, principalmente quando o início da dor é súbito e grave, e os exames iniciais não mostram nenhuma evidência de inflamação ou infecção.

Avaliação clínica

A história clinica deve incluir o histórico sexual, o risco de ISTs, sintomas do trato urinário inferior preexistentes e manipulação instrumental recente.[3] Esses fatores permitirão determinar os prováveis agentes causadores e iniciar a antibioticoterapia empírica apropriada antes dos resultados dos testes diagnósticos.

O exame pode revelar um hemiescroto quente, eritematoso e edemaciado, com um aumento sensível do epidídimo. Haverá um aumento difuso dos testículos na epidídimo-orquite. Nos casos de uretrite, pode haver secreção uretral e/ou sintomas de disúria. Nos casos graves, o paciente pode ter febre e estar sistemicamente doente. Uma hidrocele reativa também pode estar presente, e uma formação de abscesso pode ficar evidente pela flutuação do edema e induração do tecido escrotal sobreposto. Recomenda-se realizar um exame de toque retal para avaliar quanto a aumento prostático benigno, o que pode sugerir obstrução do fluxo de saída da bexiga subjacente e aumento do risco de epididimite aguda, além de descartar sensibilidade prostática, a qual pode ser um sinal de prostatite aguda concomitante.

A epididimite tuberculosa pode apresentar-se como epididimite aguda refratária ao tratamento convencional.[20] Geralmente o comprometimento agudo desaparece em 2 a 4 semanas e, à medida que a doença evolui e se torna crônica, surge uma massa rígida e indolor. Deve-se considerar essa possibilidade caso nenhuma outra causa óbvia seja identificada, mesmo que não haja uma história de exposição à tuberculose (TB) conhecida.[19]

As características clínicas de epididimite não infecciosa são as mesmas de uma causa infecciosa, mas os pacientes podem ter uma história de uso de amiodarona ou sintomas de vasculite, como erupção cutânea, e geralmente não têm febre alta ou outros sintomas de sepse.

Investigações

As investigações são indicadas para determinar a causa subjacente de epididimite.

Sempre que possível, um swab uretral deve ser enviado para realização de coloração de Gram, a fim de se avaliar quanto ao diagnóstico de uretrite tanto nos homens sintomáticos quanto assintomáticos.[2][3]

Um exame de urina com tira reagente positivo para leucócitos é sugestivo de infecção do trato urogenital inferior, e uma amostra do primeiro jato de urina deve ser enviada para microscopia de urina e cultura. O teste de amplificação de ácido nucleico (NAAT) para Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae na amostra do primeiro jato de urina tem uma sensibilidade maior em comparação com a cultura, e é o exame recomendado nos pacientes nos quais se suspeitar dessas infecções.[29][30]​​​ Embora a cultura para N gonorrhoeae seja uma opção alternativa e menos sensível a um NAAT para a gonorreia, ela é a opção de escolha caso o teste de sensibilidade antibiótica seja desejado (a cultura para gonorreia requer a coleta de um swab uretral). O diagnóstico de Mycoplasma genitalium é realizado por meio de NAAT, sempre que disponível.[3][31][32][33]​​ A International Union Against Sexually Transmitted Infections (IUSTI) recomenda a realização de testes para M genitalium nos homens que apresentarem epidídimo-orquite, se tiverem menos de 50 anos.[32] Devido à natureza fastidiosa do M genitalium, a cultura é difícil, e o teste de resistência antimicrobiana é limitado. A detecção molecular de mutações específicas mediadas pela resistência está disponível em alguns países.[31][32][34]​​ A IUSTI-Europe recomenda realizar o teste de resistência a macrolídeos em todos os casos confirmados de M genitalium.[32]

Todos os pacientes com epidídimo-orquite transmitida sexualmente devem ser rastreados para outras ISTs, inclusive sífilis e HIV.[2][4]

Nos pacientes com suspeita de tuberculose, três amostras de urina colhidas pela manhã devem ser cultivadas para bacilos álcool-ácido resistentes e enviadas para NAAT para detecção de DNA de Mycobacterium tuberculosis.[4][19]​​​

A ultrassonografia duplex colorida não é indicada rotineiramente para pacientes com suspeita de epididimite, mas deve ser realizada nos pacientes com sinais sugestivos de formação de abscesso ou possível torção e infarto testicular.​​[10][35]​​[36]

Uma exploração cirúrgica urgente pode ser indicada nos casos em que a torção testicular não puder ser descartada com segurança.[2][3] Consulte Torção testicular.

As causas não infecciosas de epididimite geralmente são evidentes na história de uso de amiodarona ou vasculite subjacente e são confirmadas com testes negativos para infecção bacteriana. A epididimite idiopática é um diagnóstico de exclusão.

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