Etiologia

A etiologia do tamponamento é muito variada, já que os derrames pericárdicos podem ter inúmeras causas. Em pacientes sintomáticos, as etiologias são mais comumente iatrogênicas (depois de intervenção ou cirurgia cardíaca), trauma, malignidade e derrame idiopático.[10][13][12] Outras etiologias comuns de grande derrame pericárdico incluem infecção viral, pericardite induzida por radiação, doença vascular do colágeno, hipotireoidismo/mixedema, uremia, tuberculose (em regiões endêmicas) e quilopericárdio.[11][12][14]

O tamponamento pós-operatório é mais comum depois de uma cirurgia valvar que de uma cirurgia de revascularização miocárdica e ocorre com maior frequência em pacientes sob terapia com anticoagulantes.[15]

Há uma incidência relativamente baixa (0.85%) de tamponamento pós-infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST depois do tratamento com terapia trombolítica.[16]

Fisiopatologia

No tamponamento clássico, a pressão pericárdica é elevada porque há um acúmulo de líquido no espaço pericárdico. As pressões diastólica ventricular, do átrio direito e de oclusão sobem para se igualar às pressões pericárdicas na tentativa de prevenir o colapso da câmara cardíaca.[3] Essa equalização de pressões é a característica hemodinâmica do tamponamento. Quando a pressão pericárdica excede as pressões dentro da câmara, esta entra em colapso.[3]

Quando o pericárdio é estirado, repleto de líquido e sem elasticidade, a variação respiratória típica no enchimento ventricular direito e esquerdo é imensamente exagerada. A inspiração aumenta as pressões intratorácicas negativas e aumenta o retorno venoso para o coração direito. Esse volume aumentado no coração direito pressiona os septos intra-atrial e intraventricular sobre o coração esquerdo. Isso é conhecido como "interdependência ventricular".[3] Portanto, haverá diminuição dos volumes no coração esquerdo com a inspiração, resultando em um débito cardíaco sistêmico e uma queda da pressão arterial sistêmica. Clinicamente, isso é conhecido como pulso paradoxal, uma queda inspiratória na pressão arterial sistêmica >10 mmHg. No ecocardiograma, a interdependência ventricular é demonstrada quando há mais de 25% de variação nas velocidades de entrada ventricular durante a inspiração.[17]

As causas menos comuns do tamponamento são:

  • Tamponamento de baixa pressão, que é um tamponamento localizado sem derrame generalizado[5][18]

  • Pacientes com baixa pressão venosa central[5][19]

  • Acúmulo de líquido em um pericárdio rígido como na pericardite efusiva-constritiva[6][20]

  • Extenso derrame pleural prejudicando o enchimento ventricular.[21]

Classificação

Classificação clínica

Aguda

  • Esse tamponamento de início rápido é observado em trauma cardíaco/de grandes vasos ou como uma complicação de procedimentos invasivos.

  • Apresenta-se com as características clássicas da tríade de Beck (hipotensão, estase jugular e sons cardíacos distantes).

  • O derrame pode ser pequeno, dada a relativa falta de elasticidade do pericárdio.[2]

Subagudo

  • Um processo mais gradual de acúmulo de líquido, permitindo o estiramento do pericárdio e derrames muito maiores que os observados no tamponamento agudo.[3]

  • É o tipo mais comum de tamponamento encontrado na prática.

  • Geralmente, é observado em pacientes com doença neoplásica, tuberculose, uremia ou doença idiopática. Os sintomas podem ser mais sutis e alguns ou todos os sinais da tríade de Beck podem estar ausentes.[3]

Tamponamento regional

  • Causada por um derrame loculado ou um hematoma pericárdico compressivo que invade mecanicamente uma câmara do coração, prejudicando o enchimento normal.[3][4]

  • Os sintomas variam e o diagnóstico pode ser difícil com a ecocardiografia.

  • Observado depois de infarto agudo do miocárdio e de cirurgia cardíaca aberta.[4]

Tamponamento de baixa pressão

  • Nos pacientes em estado hipovolêmico, há uma queda da pressão do átrio direito e uma pequena elevação da pressão intrapericárdica pode provocar colapso da câmara.

  • Isso pode ser observado em estados hipovolêmicos associados a hemorragia ou diurese excessiva.[3][4][5]

  • Pode não apresentar sinais e sintomas típicos de tamponamento cardíaco; o diagnóstico definitivo necessita de cateterismo cardíaco.[5]

Pericardite efusiva-constritiva

  • O tamponamento pode se desenvolver em pacientes com derrame devido ao pericárdio cicatricial e, frequentemente, ocorre em pacientes com malignidade ou exposição prévia à irradiação.[6]

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