Monitoramento
O manejo em longo prazo da granulomatose com poliangiite (GPA; anteriormente conhecida como granulomatose de Wegener) envolve o monitoramento cuidadoso da atividade da doença, a fim de maximizar a detecção precoce da recidiva e otimizar os esquemas de tratamento. Essa estratégia permite o uso de terapias menos tóxicas para indução da remissão e a intervenção precoce pode ajudar a reduzir o dano tecidual relacionado à GPA ativa. Para reduzir a toxicidade relacionada ao tratamento, é essencial que a terapia imunossupressora seja usada cuidadosamente.
A adequada avaliação da atividade da doença não depende apenas de um fator, mas requer a integração de um profundo exame físico e da história do paciente, juntamente com achados laboratoriais e radiográficos. Por exemplo, evidências de dano crônico devido à atividade anterior da doença (por exemplo, perda auditiva ou nódulos pulmonares antigos) ou achados laboratoriais persistentemente anormais (por exemplo, anticorpo citoplasmático antineutrófilo [ANCA] positivo ou velocidade de hemossedimentação [VHS] elevada) não devem ser interpretados, necessariamente, como GPA ativa, na ausência de evidências mais contundentes da atividade da doença. Na realidade, embora o teste de ANCA auxilie no diagnóstico de GPA, não há evidências que corroborem o uso rotineiro de ANCA no monitoramento da atividade da doença.[32] Para todos os pacientes com suspeita de recidiva da GPA, deve sempre ser considerada a possibilidade de infecção, malignidade, ou complicações relacionadas ao tratamento ou à doença.
É recomendada avaliação laboratorial, incluindo hemograma completo, perfil metabólico, marcadores inflamatórios e urinálise a cada 1 a 3 meses, mesmo durante remissão sustentada da doença.[38] Se o paciente fizer uso de ciclofosfamida, pode ser necessário um monitoramento sanguíneo mais frequente. Além de fornecer informações sobre o estado atual da doença e a toxicidade das terapias, esses exames podem ajudar a identificar os pacientes que desenvolvem mielodisplasia, leucemia ou toxicidade na bexiga em decorrência da exposição à ciclofosfamida.
A identificação de hematúria não glomerular (urina avermelhada ou rosa, coágulos sanguíneos, eritrócitos bicôncavos de tamanho normal, ausência de depósitos celulares) deve desencadear exame cistoscópico, já que a citologia da urina não tem valor preditivo negativo suficiente para descartar a presença de malignidade da bexiga.
A fim de reduzir o risco de câncer de pele, os pacientes que estiverem usando ou que usaram ciclofosfamida devem tomar medidas para reduzir a exposição à luz ultravioleta. É prudente fazer uma avaliação dermatológica anual. Indivíduos com GPA devem ser submetidos a um rastreamento adequado para neoplasia maligna.
Todos os pacientes tratados com corticosteroide em longo prazo devem receber rastreamento e medidas preventivas contra osteoporose induzida por corticosteroide.[44] Consulte Osteoporose.
Escores validados de atividade da doença (por exemplo, Birmingham Vasculitis Activity Score modificado para GPA [BVAS/GPA]) e escores de danos (por exemplo, Vasculitis Damage Index [VDI]) podem ajudar na avaliação da atividade da GPA e são usados rotineiramente nos estudos clínicos.[78][79]
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