Critérios

Critérios de Dallas[76]

  • Miocardite ativa: a presença de um infiltrado inflamatório do miocárdio com necrose e/ou degeneração de miócitos adjacentes que não são típicos de dano isquêmico associado à doença arterial coronariana.

  • Miocardite borderline: a presença de um infiltrado inflamatório do miocárdio sem necrose ou degeneração de miócitos adjacentes.

Classificação de Marburg da Organização Mundial de Saúde[77]

Primeira biópsia:

  • Miocardite aguda (ativa): um infiltrado bem-definido (difuso, focal ou confluente) de >14 leucócitos/mm² (preferivelmente células T ativadas). O volume de infiltrado deve ser quantificado por imuno-histoquímica. A necrose ou degeneração é compulsória; a fibrose pode estar ausente ou presente e deve ser classificada.

  • Miocardite crônica: um infiltrado de >14 leucócitos/mm² (difuso, focal ou confluente, preferivelmente células T ativadas). A quantificação deve ser realizada por imuno-histoquímica. A necrose ou degeneração é geralmente não evidente; a fibrose pode estar ausente ou presente e deve ser classificada.

  • Sem miocardite: sem infiltração de células ou <14 leucócitos/mm².

Biópsias subsequentes:

  • Miocardite contínua (persistente). Os critérios são os mesmos que para miocardite aguda ou crônica.

  • Miocardite em resolução (cicatrização). Os critérios são os mesmos que para miocardite aguda ou crônica, mas o processo imunológico é mais esparso que na primeira biópsia.

  • Miocardite resolvida (cicatrizada). Corresponde à classificação de Dallas.

A quantidade e a distribuição de fibrose devem ser descritas, similarmente, como nenhuma (grau 0), leve (grau 1), moderada (grau 2) ou intensa (grau 3). A localização ou formação de fibrose deve ser descrita como endocárdica, de substituição ou intersticial.

Classificação funcional da New York Heart Association[78]

  • Classe I: os pacientes apresentam doença cardíaca, mas sem provocar limitações à atividade física. A atividade física habitual provoca fadiga, palpitações, dispneia ou dor anginosa.

  • Classe II: os pacientes apresentam doença cardíaca que provoca ligeira limitação à atividade física. Eles se sentem confortáveis em repouso. A atividade física habitual provoca fadiga, palpitações, dispneia ou dor anginosa.

  • Classe III: os pacientes apresentam doença cardíaca que provoca limitação acentuada à atividade física. Eles se sentem confortáveis em repouso. A atividade física abaixo da habitual provoca fadiga, palpitações, dispneia ou dor anginosa.

  • Classe IV: os pacientes apresentam doença cardíaca que provoca incapacidade de executar qualquer atividade física sem desconforto. Sintomas de insuficiência cardíaca ou de síndrome anginosa podem estar presentes mesmo em repouso. Se for realizada qualquer atividade física, o desconforto aumenta.

Classificação do American College of Cardiology (ACC)[56]

O ACC descreve o espectro da miocardite em quatro estágios, espelhando o paradigma da insuficiência cardíaca em adultos. Embora essa classificação seja baseada em estudos com adultos, é sugerido que a abordagem pode ser adaptada para populações pediátricas.

  • Estágio A: risco de miocardite

    • Pacientes com fatores de risco para o desenvolvimento de miocardite, mas sem diagnóstico atual, sintomas ou marcadores estruturais, biomarcadores, de imagem ou histopatológicos de miocardite.

  • Estádio B: miocardite assintomática

    • Pacientes com fatores de risco, mas sem sintomas clássicos de miocardite aguda, que apresentem: 1) histopatologia compatível com miocardite, 2) achados de RNM cardíaca compatíveis com miocardite ou 3) níveis elevados de troponina cardíaca de alta sensibilidade com evidências adicionais que corroborem o diagnóstico de miocardite.

  • Estádio C: miocardite sintomática

    • Pacientes que apresentam sintomas clássicos de miocardite aguda com: 1) histopatologia compatível com miocardite, 2) achados de RNM cardíaca compatíveis com miocardite ou 3) níveis elevados de troponina cardíaca de alta sensibilidade com evidências adicionais que corroboram o diagnóstico de miocardite.

  • Estágio D: miocardite avançada

    • Pacientes com miocardite sintomática (que atendem aos critérios do estágio C) que apresentam instabilidade hemodinâmica ou elétrica e necessitam de intervenção.

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