Abordagem

História

A maioria dos casos ocorre em crianças menores de 12 meses.​ Os pacientes devem ser avaliados primeiro com anamnese e exame físico completos com foco na natureza da dor abdominal (episódios de cólicas/intermitentes versus constantes), na presença de fezes com aspecto de geleia de morango e na presença ou ausência de vômitos. Praticamente todos os lactentes com intussuscepção apresentam dor abdominal e vômitos.[17] O sintoma clássico de fezes com aspecto de geleia de morango ou sangramento retal está presente em 35% a 73% dos casos.[3][11][18]​ A letargia progressiva está frequentemente associada, e os pacientes podem apresentar uma história de uma doença viral recente.[3]

Exame físico

O exame físico deve iniciar com uma avaliação da estabilidade hemodinâmica. O exame físico abdominal pode gerar achados de massa abdominal palpável, distensão abdominal ou até peritonismo.[1]​ A massa abdominal pode ser sutil, por isso é melhor realizar o exame físico entre os episódios de cólica. O médico pode querer detectar uma massa enquanto a criança está deitada no colo do cuidador; o lactente pode estar mais bem acomodado, e a massa pode ser prontamente palpável com o paciente em posição prona ou lateral.

É possível que ocorra sangramento durante o exame de toque retal, mas sua ausência não descarta o diagnóstico. O choque hipovolêmico, sugestivo de isquemia ou necrose intestinal, está presente em 5% a 10% dos casos.[3]

Exames de imagem

O achado de um sinal do alvo (variantes de acordo com a aparência ou modalidade de imagem incluem sinal em formato de olho de boi, sinal da rosca, sinal de rosqueamento crescente e sinal dos anéis concêntricos múltiplos) é característico da intussuscepção em radiografia abdominal simples ou, menos comumente, tomografia computadorizada (TC).[1][19][Figure caption and citation for the preceding image starts]: Sonograma transversal do abdome mostrando o sinal de rosca (anéis concêntricos dentro do lúmen de uma alça distendida do intestino)Adaptado do Student BMJ. 2008;16:76. Copyright 2010 pelo BMJ Publishing Group; usado com permissão [Citation ends].com.bmj.content.model.Caption@47d79066

A radiografia abdominal simples pode estar normal, embora ocasionalmente seja possível observar uma obstrução intestinal parcial. Outros sinais sugestivos incluem a presença de massa de tecidos moles, um quadrante inferior direito vazio, ar em um apêndice deslocado e sinais de uma obstrução no intestino delgado.[20][21]​ Se houver peritonite, é recomendável um apoio cirúrgico urgente, e as radiografias abdominais simples deverão ser avaliadas quanto à presença de pneumoperitônio. A presença de pneumoperitônio é indicativa de perfuração intestinal como complicação da intussuscepção.

Um enema com contraste (ar ou reagente de contraste) pode ser realizado para diagnosticar intussuscepção, mas é contraindicado na presença de pneumoperitônio. Enemas com líquido ou ar continuam sendo os testes diagnósticos mais específicos e sensíveis, capazes de identificar a extensão do processo. A eficácia diagnóstica do contraste líquido e dos enemas de ar pode ser comparável.[21] Em uma revisão Cochrane, observou-se que o enema de ar é mais eficaz que o contraste com líquido na redução da intussuscepção, embora a base de evidências tenha sido considerada de baixa qualidade.[22]

Em muitos centros, recomenda-se a ultrassonografia para o diagnóstico de intussuscepção.[23]​ Se o paciente estiver clinicamente estável e não houver suspeita de perfuração, a ultrassonografia deve ser o exame diagnóstico inicial para intussuscepção. A ultrassonografia tem uma precisão diagnóstica relatada de até 100%.[23]​ A presença de uma massa de 3 a 5 cm profunda na parede abdominal ao lado direito, com aparência característica ultrassonográfica de rosca, é diagnóstica de intussuscepção. A ultrassonografia pode também avaliar a presença ou ausência de um ponto inicial patológico[24] (uma anormalidade anatômica do intestino associada, como um pólipo ou lesão em massa luminal, que pode levar ao desenvolvimento de intussuscepção).[25]​ O fluxo sanguíneo mesentérico também pode ser avaliado por ultrassonografia, sendo a ausência de fluxo preditiva de necrose da parede intestinal e irredutibilidade.[26]

[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Radiografia abdominal que mostra a passagem insuficiente de bário no local da obstrução decorrente da intussuscepçãoDo acervo do Dr David J. Hackam; usada com permissão [Citation ends].com.bmj.content.model.Caption@46c70d36[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Imagem de ultrassonografia que mostra a invaginação de um segmento do intestino no segmento adjacenteBMJ Case Reports 2009; doi:10.1136/bcr.04.2009.1730; usada com permissão [Citation ends].com.bmj.content.model.Caption@18d27ff8[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Sonograma transversal do abdome mostrando o sinal de rosca (anéis concêntricos dentro do lúmen de uma alça distendida do intestino)Adaptado do Student BMJ. 2008;16:76. Copyright 2010 pelo BMJ Publishing Group; usado com permissão [Citation ends].com.bmj.content.model.Caption@10a1c053

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