Epidemiologia

A incidência estimada de artrite séptica em países desenvolvidos é relativamente baixa, com aproximadamente 6 a 10 casos por 100,000 habitantes por ano.[1][2][3]​​​ Embora incomum, trata-se de uma emergência grave. Se não for tratada, pode levar à sepse sistêmica e estudos estimam uma taxa de mortalidade de 16.3%.[4]

Estudos também mostram que as taxas de artrite séptica estão aumentando e provavelmente continuarão a aumentar. Essa tendência está associada ao envelhecimento da população, ao aumento do número de procedimentos invasivos realizados e ao aumento do número de pacientes que recebem terapia imunossupressora.[4] Um amplo estudo de base populacional realizado no Reino Unido relatou que a incidência de artrite séptica entre 1998 e 2013 aumentou 43%, com as taxas subindo de 5.5/100,000 em 1998 para 7.8/100,000 em 2013.[5]​ A incidência varia significativamente com a idade, com estudos mostrando uma taxa 6.5 vezes maior em pacientes com idade ≥80 anos em comparação com aqueles com menos de 65 anos.[3]

A infecção articular periprotética é uma complicação rara, porém devastadora, sendo uma das principais causas de falha após a artroplastia total. A incidência relatada de infecção articular periprotética varia dependendo da articulação, com uma incidência estimada de 1% a 3% para artroplastias primárias de quadril e joelho e até 5.6% em casos de revisão.[2] As doenças articulares subjacentes, como artrite reumatoide e outras formas de artropatias inflamatórias, são fatores predisponentes para o desenvolvimento tanto de artrite séptica em articulações nativas quanto de infecção articular periprosética. Até 47% dos pacientes diagnosticados com artrite bacteriana apresentam problemas articulares preexistentes.[2][6][7]

A incidência de artrite séptica em grandes articulações é maior do que em pequenas articulações e aumenta com a idade; a grande articulação mais comumente afetada é o joelho, seguida pelo quadril e ombro.[4][8]

A maioria dos casos de artrite séptica é causada por bactérias Gram-positivas, sendo o Staphylococcus aureus a causa mais comum, seguido por espécies de estreptococos.[9]​ O S aureus é responsável por aproximadamente 50% dos casos em todas as faixas etárias e grupos de risco.[3] A incidência de infecção por S aureus resistente à meticilina está aumentando nos EUA e é uma das principais causas de artrite séptica.​[4][6]​​​ É particularmente prevalente entre pacientes recentemente hospitalizados e submetidos a cirurgias, residentes em instituições asilares e pessoas com úlceras nas pernas ou sonda vesical de demora.[4][10]​​​[11]

A incidência de artrite séptica gonocócica diminuiu de forma geral nas últimas décadas e representa aproximadamente 1.2% dos casos de artrite séptica.[12]​ As infecções gonocócicas disseminadas (IGD) resultam de infecções gonocócicas não tratadas que entram na corrente sanguínea, o que, por sua vez, pode levar a uma infecção articular.[13]​ Um estudo que analisou casos de IGD nos EUA entre 2015 e 2019 encontrou uma taxa de 0.13 casos por 100,000 habitantes. A maioria dos casos de IGD ocorreu em homens (64%), negros não hispânicos (68%) e com idades entre 16 e 67 anos; sendo que a artrite séptica representou 40% dos casos.[14]

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