Etiologia

Aproximadamente 90% dos casos de epistaxe são causados por sangramento originado em vasos sanguíneos na área de Little, localizada no septo inferior anterior.[3]

Esta área contém uma confluência de vasos do suprimento arterial principal do nariz (artéria esfenopalatina, artérias etmoidais anterior e posterior, artéria palatina maior e artéria labial superior), chamada de plexo de Kiesselbach.[3][10]​​​

A epistaxe posterior se origina da cavidade nasal posterior ou nasofaringe, mais comumente das artérias etmoidais posterior ou anterior ou da artéria esfenopalatina.[1][2][3]​​[10]

Os vasos podem sangrar devido a:

  • Comprometimento da mucosa

  • Deficiência da vasoconstrição e ativação inadequada do mecanismo de coagulação.

A neoplasia representa uma causa atípica da epistaxe e, caso esteja localizada em um seio paranasal, difícil de encontrar, e inclui:

  • Tumores malignos do trato sinusal: carcinoma de células escamosas (CCE), carcinoma indiferenciado carcinoma sinonasal indiferenciado (CSI), adenocarcinoma, carcinoma adenoide cístico, melanoma, linfoma.

    As neoplasias malignas mais comuns que apresentam epistaxe são o melanoma mucoso e o CCE.[11]

  • Tumores benignos do trato sinusal: angiofibroma nasofaríngeo juvenil (ANJ), papiloma invertido, pólipo antrocoanal.

    A neoplasia benigna mais comum que apresenta epistaxe é o ANJ; um tumor nasofaríngeo raro de homens adolescentes que pode produzir hemorragia unilateral significativa na presença de obstrução nasal.[5][12][13]

Adultos com sangramento nasal, frequentemente têm pressão arterial (PA) elevada, embora haja dificuldade para determinar se a hipertensão é um fator causal ou se a PA elevada é secundária à ansiedade. Não há provas conclusivas.[5][14][15][16] Um estudo de coorte populacional coreana, realizado com mais de 70,000 pessoas, constatou que pessoas com hipertensão pareciam apresentar aumento do risco de epistaxe, faziam mais visitas ao pronto-socorro e necessitavam de mais procedimentos de tampão nasal posterior do que pessoas sem hipertensão arterial.[17]

É também discutível se a alteração aterosclerótica, secundária à hipertensão, aumenta a fragilidade dos vasos. Assim como a PA elevada prejudica a hemostasia cirúrgica intraoperatória, pode ser razoável inferir que ela prolongaria e pioraria, da mesma forma, o sangramento ativo.[14][15]

Fisiopatologia

As demandas fisiológicas do nariz requerem um suprimento de sangue substancial. A perda da integridade da mucosa, por qualquer razão, expõe os vasos subjacentes, os quais podem ser rompidos e sangrar.

A vasoconstrição e a ativação do mecanismo de coagulação normalmente restabelecem a hemostasia. O comprometimento desses processos pode prolongar o sangramento.

Classificação

Classificação comumente usada de acordo com o local da fonte de sangramento

Epistaxe anterior:

  • É responsável por aproximadamente 90% dos casos de epistaxe

  • Geralmente se origina do plexo de Kiesselbach (também conhecido como área de Little), uma rica anastomose vascular localizada no septo nasal anterior; composta por ramos das artérias etmoidal anterior, palatina maior, labial superior e esfenopalatina.

Epistaxe posterior:

  • Origina-se da cavidade nasal posterior, geralmente ramos do esfenopalatina ou de uma área conhecida como plexo de Woodruff (uma confluência de vasos posterior ao corneto inferior) ou nasofaringe.[1][2]

  • Os vasos nasais e nasofaríngeos posteriores geralmente têm um calibre maior e podem produzir sangramento mais agressivo.

Classificação comumente usada de acordo com a causa do sangramento

  • Pequeno sangramento vascular devido à erosão ou lesão na mucosa, resultando na exposição dos vasos sanguíneos.

  • Trauma com laceração de vasos em áreas atípicas do nariz, como parede nasal lateral com fratura nasal.

  • Neoplasia que causa sangramento. O diagnóstico deve ser considerado quando a epistaxe ocorre sem uma fonte anterior ou posterior típica ou ocorre no contexto de obstrução nasal.

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