Abordagem

A infecção do trato urinário (ITU) é o maior fator de risco para o desenvolvimento de prostatite. A hiperplasia prostática benigna pode acarretar urina residual que age como um ninho para infecções, então também pode ser considerada um fator de risco para a doença.

Anamnese e exame físico

Os sintomas iniciais de prostatite aguda incluem mal-estar, febre, calafrios e um quadro clínico de sepse acompanhado de disúria, dor perineal ou genital e polaciúria.[27][28]​​​ Eles podem ser acompanhados por sintomas e sinais de obstrução urinária, como diminuição do calibre do jato urinário, lentidão do jato e retenção urinária aguda. A biópsia transretal da próstata ou a ressecção transuretral da próstata pode estar associada ao desenvolvimento de infecção prostática, particularmente em pacientes que apresentam infecção urinária não tratada na ocasião do seu procedimento prostático.[14]

O local mais comum para a ocorrência de dor é a região da próstata e o períneo. Dor no escroto e nos testículos também é comum, enquanto alguns pacientes se queixam de dor no pênis, na região suprapúbica ou na coluna lombar.[29] Em homens com prostatite bacteriana aguda, o exame de toque retal (ETR) revelará uma glândula prostática com intensa sensibilidade à palpação.[28]​ A glândula também pode parecer macia, esponjosa e quente ao toque, durante o exame físico. Deve-se realizar um ETR gentilmente; evite a massagem prostática, pois pode induzir à bacteremia e à sepse.[14][30]

Exames laboratoriais

Realize a cultura para exame de urina de jato médio em pacientes com sintomas de prostatite bacteriana aguda para orientar o diagnóstico e personalizar o tratamento com antibióticos.​[14][30]​ A urinálise e a cultura de urina frequentemente são os únicos exames laboratoriais solicitados em pacientes com prostatite bacteriana aguda. O exame microscópico da urina pode demonstrar a presença de leucócitos e bactérias e a cultura da urina frequentemente é positiva no contexto de doença aguda. Considere realizar hemoculturas em pacientes febris com prostatite bacteriana aguda; provavelmente, mostrarão o mesmo organismo que a cultura da urina.[14]

A massagem prostática não deve ser realizada na prostatite aguda, pois pode induzir à bacteremia e à sepse.​[14][30]​​ Entretanto, se o diagnóstico não for claro e a prostatite crônica (sintomas que persistem por mais de três meses) for uma possibilidade, considere realizar culturas quantitativas de localização bacteriana e microscopia da urina segmentada e da secreção prostática expressa para categorizar a prostatite clínica.[14] Conhecido como teste dos 4 frascos de Meares e Stamey, inclui culturas bacterianas do jato inicial (VB1), exame de urina de jato médio (VB2), de secreções prostáticas expressas (EPS) e de amostra de urina após massagem prostática (VB3).[31] A VB1 é testada quanto à existência de infecção ou inflamação uretral e a VB2 é testada quanto à existência de infecção da bexiga urinária. As EPS são submetidas à cultura e examinadas quanto à existência de leucócitos (um número >10 a 20 por campo de grande aumento é considerado anormal). Acredita-se que a amostra de urina após massagem prostática (VB3) remove bactérias originárias da próstata que permanecem na uretra. O teste de 4 frascos de Meares e Stamey, entretanto, raramente é realizado na prática contemporânea devido ao seu custo e complexidade.[30]​ O teste de 2 frascos (amostras pré-massagem e pós-massagem) demostrou ter sensibilidade diagnóstica similar ao teste de 4 frascos.[30][32]

O antígeno prostático específico (PSA) sérico pode estar elevado em alguns casos de prostatite. As diretrizes europeias não recomendam o teste de PSA porque ele não fornece informações diagnósticas práticas para prostatite.[14] Níveis elevados de PSA não devem ser confundidos com câncer de próstata.[33] Além disso, em pacientes com PSA elevado e prostatite grau IV (assintomática), uma queda no PSA após o tratamento não prediz a ausência de carcinoma de próstata.[34]

Exames invasivos

A cistoscopia não é indicada rotineiramente em homens com suspeita de prostatite e, geralmente, é reservada para pacientes refratários ao tratamento padrão ou cuja apresentação sugere um diagnóstico alternativo. Em pacientes com hematúria ou outros sintomas (por exemplo, perda de peso), a cistoscopia do trato urinário inferior (juntamente com citologia da urina) é indicada para descartar carcinoma da bexiga.[35]

Realize uma ultrassonografia transretal em pacientes com sintomas agudos e que não apresentaram resposta à antibioticoterapia.[36] A European Association of Urology informa que a ultrassonografia transretal não é confiável como ferramenta diagnóstica para prostatite, mas pode ser útil em casos selecionados para descartar o abscesso prostático.[14]Pode ser útil para determinar o diagnóstico de cistos prostáticos, abscessos e obstrução da vesícula seminal.[37][38][39]​ Também pode identificar bexiga distendida ou resíduo urinário significativo na bexiga. Infelizmente, a ultrassonografia não consegue diferenciar inequivocamente doença benigna de doença maligna da próstata.

A biópsia prostática não é recomendada como parte da investigação de rotina e não é aconselhável em pacientes com prostatite bacteriana não tratada devido ao aumento do risco de sepse.[14] Caso a biópsia prostática seja considerada necessária (por exemplo, se houver suspeita de outro diagnóstico, como carcinoma da próstata), as diretrizes europeias recomendam usar a abordagem transperineal, pois está associada com taxas menores de infecção que a biópsia transretal.[14] O ideal é que a biópsia da próstata seja realizada após o episódio infeccioso agudo ter sido tratado. Também podem ser realizadas biópsias perineais da próstata para ajudar na detecção de micro-organismos de difícil cultura, mas elas são recomendadas somente para fins de pesquisa. Em pacientes com prostatite crônica, as culturas de biópsia prostática não mostraram diferença em comparação com os grupos de controle assintomáticos.[40] O carcinoma da próstata pode ser uma consideração se o paciente tiver induração, nodularidade ou firmeza persistente no ETR ou PSA elevado.

O uso deste conteúdo está sujeito ao nosso aviso legal