Rastreamento

Décadas de pesquisa e monitoramento de indivíduos com positividade para autoanticorpos contra ilhotas pancreáticas levaram à mudança de paradigma que reconhece que o diabetes do tipo 1 é um espectro de estágios, desde o risco genético até a autoimunidade e, por fim, a doença metabólica.[62]​ Essa compreensão em constante evolução aumenta a possibilidade de intervenção precoce em indivíduos de alto risco, o que poderia facilitar o diagnóstico precoce e ajudar a prevenir complicações como a cetoacidose diabética (CAD). No Reino Unido, os testes de autoanticorpos ainda não fazem parte da prática clínica de rotina para o rastreamento de indivíduos com risco de desenvolver diabetes do tipo 1. No entanto, diversos estudos de pesquisa no Reino Unido (por exemplo, ELSA, T1DRA) estão investigando ativamente a viabilidade e a eficácia desse tipo de rastreamento, com o objetivo de determinar a praticidade da implementação do rastreamento de autoanticorpos na população em geral.[130][131]​​ Os programas de rastreamento também estão disponíveis em outras partes do mundo, incluindo os EUA, a Austrália e partes da Europa, através da inscrição em estudos de investigação.[6]​ Esses programas incluem a identificação de indivíduos que podem ser elegíveis para terapias modificadoras da doença, o fornecimento de acesso precoce à educação sobre diabetes e serviços de apoio, e a possível mitigação da gravidade da doença no momento do diagnóstico, com evidências mostrando que esse monitoramento em estudos de pesquisa pode reduzir significativamente a incidência de CAD no diagnóstico (embora o impacto do monitoramento na prática clínica geral sobre as taxas de CAD não seja conhecido).[62]

​A American Diabetes Association (ADA) produziu um sistema de estadiamento para diabetes do tipo 1 com base em características clínicas, níveis glicêmicos e presença de autoanticorpos contra as ilhotas e autoanticorpos anti-insulina, descarboxilase do ácido glutâmico (DAG), antígeno das ilhotas 2 (IA-2) ou transportador de zinco 8 (ZnT8):[6]

  • Estágio 1: é a presença de autoimunidade na ausência de disglicemia (pré-sintomática)

  • Estágio 2: caracteriza-se por autoimunidade e disfunção glicêmica na faixa pré-diabética (pré-sintomática)

  • Estágio 3: é diabetes do tipo 1 clínico com autoimunidade e hiperglicemia evidente (sintomática)

Em conjunto, a ADA e a European Association for the Study of Diabetes publicaram diretrizes recomendando monitoramento médico periódico, incluindo avaliação regular dos níveis de glicose e educação sobre os sintomas de diabetes e CAD, para pessoas com teste positivo para autoanticorpos contra ilhotas.[62]​ As diretrizes da ADA recomendam que, quando múltiplos autoanticorpos forem identificados, o encaminhamento para um centro especializado para avaliação adicional e/ou consideração de um ensaio clínico ou terapia aprovada para potencialmente retardar o desenvolvimento de diabetes clínica seja considerado.[6]

O teplizumabe é um anticorpo monoclonal direcionado ao CD3, aprovado nos EUA pela Food and Drug Administration (FDA) e recomendado pela ADA para retardar o início do diabetes do tipo 1 em estágio 3 em pessoas com idade ≥8 anos com diabetes do tipo 1 em estágio 2.[6]​ Ainda não foi aprovado no Reino Unido ou na Europa.

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