A hiperprolactinemia é uma condição de prolactina (PRL) sérica elevada. O nível de PRL considerado normal varia de acordo com o laboratório de referência e o tipo de imunoensaio usado, mas normalmente é considerado cerca de <25 microgramas/L (<500 miliunidades/L) em mulheres e <20 microgramas/L (<400 miliunidades/L) em homens.[1]Leca BM, Mytilinaiou M, Tsoli M, et al. Identification of an optimal prolactin threshold to determine prolactinoma size using receiver operating characteristic analysis. Sci Rep. 2021 May 7;11(1):9801.
https://www.nature.com/articles/s41598-021-89256-7
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/33963239?tool=bestpractice.com
[2]Serri O, Chik CL, Ur E, et al. Diagnosis and management of hyperprolactinemia. CMAJ. 2003 Sep 16;169(6):575-81.
http://www.cmaj.ca/content/169/6/575.long
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12975226?tool=bestpractice.com
[3]Mah PM, Webster J. Hyperprolactinemia: etiology, diagnosis, and management. Semin Reprod Med. 2002 Nov;20(4):365-74.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12536359?tool=bestpractice.com
Epidemiologia
A hiperprolactinemia é a endocrinopatia mais comum do eixo hipotálamo-hipofisário. A prevalência da hiperprolactinemia varia de 0.4% em uma população adulta normal não selecionada a 26.8% em mulheres e 2.1% em homens submetidos a tratamento para fertilidade.[4]Wojcik M, Amer S, Jayaprakasan K. The prevalence of hyperprolactinaemia in subfertile ovulatory women and its impact on fertility treatment outcome. J Obstet Gynaecol. 2022 Aug;42(6):2349-53.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/35473513?tool=bestpractice.com
[5]Ambulkar SS, Darves-Bornoz AL, Fantus RJ, et al. Prevalence of hyperprolactinemia and clinically apparent prolactinomas in men undergoing fertility evaluation. Urology. 2022 Jan;159:114-9.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/33766719?tool=bestpractice.com
Essa taxa aumenta para 9% em mulheres com amenorreia e ocorre em 25% das que apresentam galactorreia. Entre mulheres que apresentam amenorreia e galactorreia concomitantes, 70% são hiperprolactinêmicas. Essa condição também afeta 5% dos homens que apresentam impotência ou infertilidade.[2]Serri O, Chik CL, Ur E, et al. Diagnosis and management of hyperprolactinemia. CMAJ. 2003 Sep 16;169(6):575-81.
http://www.cmaj.ca/content/169/6/575.long
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12975226?tool=bestpractice.com
[3]Mah PM, Webster J. Hyperprolactinemia: etiology, diagnosis, and management. Semin Reprod Med. 2002 Nov;20(4):365-74.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/12536359?tool=bestpractice.com
Embora incomum, a hiperprolactinemia também pode ocorrer em crianças.
Fisiopatologia
O hormônio PRL é um peptídeo de 199 aminoácidos sintetizado e secretado pelas células lactotróficas localizadas na adeno-hipófise; 80% da PRL circulante se encontram na forma de um monômero de 23 kD.[6]Vilar L, Abucham J, Albuquerque JL, et al. Controversial issues in the management of hyperprolactinemia and prolactinomas - an overview by the Neuroendocrinology Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism. Arch Endocrinol Metab. 2018 Mar-Apr;62(2):236-63.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10118988
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29768629?tool=bestpractice.com
A PRL dimérica (também conhecida como big PRL) tem peso molecular de 50 kD a 60 kD e representa 10% a 15%; o restante é macroprolactina (também conhecida como big-big PRL), um complexo de PRL monomérica e IgG de peso molecular alto (>150 kD).[7]Ben-Jonathan N, LaPensee CR, LaPensee EW. What can we learn from rodents about prolactin in humans? Endocr Rev. 2008 Feb;29(1):1-41.
https://academic.oup.com/edrv/article/29/1/1/2354965
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18057139?tool=bestpractice.com
[8]Gibney J, Smith TP, McKenna TJ. Clinical relevance of macroprolactin. Clin Endocrinol (Oxf). 2005 Jun;62(6):633-43.
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/j.1365-2265.2005.02243.x
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15943822?tool=bestpractice.com
A PRL também é produzida por diversos tecidos extra-hipofisários, incluindo várias regiões do cérebro, linfócitos, células epiteliais mamárias e tumores, assim como decídua, miométrio, glândulas lacrimais, timo e baço.[9]Bole-Feysot C, Goffin V, Edery M, et al. Prolactin (PRL) and its receptor: actions, signal transduction pathways and phenotypes observed in PRL receptor knockout mice. Endocr Rev. 1998 Jun;19(3):225-68.
https://academic.oup.com/edrv/article/19/3/225/2530791
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9626554?tool=bestpractice.com
Embora seja derivada do mesmo hormônio precursor do hormônio do crescimento (GH) e do lactogênio placentário humano, a PRL apresenta pouca homologia estrutural com esses hormônios.[7]Ben-Jonathan N, LaPensee CR, LaPensee EW. What can we learn from rodents about prolactin in humans? Endocr Rev. 2008 Feb;29(1):1-41.
https://academic.oup.com/edrv/article/29/1/1/2354965
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18057139?tool=bestpractice.com
A principal função da PRL é estimular a proliferação das células epiteliais da mama e induzir a produção de leite. Além de seu papel lactogênico, a PRL promove a formação e a ação do corpo lúteo e suprime a secreção pulsátil de hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). A supressão do GnRH pela PRL resulta na diminuição dos níveis do hormônio folículo-estimulante e do hormônio luteinizante.[9]Bole-Feysot C, Goffin V, Edery M, et al. Prolactin (PRL) and its receptor: actions, signal transduction pathways and phenotypes observed in PRL receptor knockout mice. Endocr Rev. 1998 Jun;19(3):225-68.
https://academic.oup.com/edrv/article/19/3/225/2530791
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9626554?tool=bestpractice.com
Além disso, a PRL tem papel inibitório direto na espermatogênese e esteroidogênese, uma vez que, nos testículos, seus receptores foram detectados nas células de Sertoli e de Leydig.[10]Arowojolu AO, Akinloye O, Shittu OB. Serum and seminal plasma prolactin levels in male attenders of an infertility clinic in Ibadan. J Obstet Gynaecol. 2004 Apr;24(3):306-9.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15203635?tool=bestpractice.com
A secreção da PRL é pulsátil e controlada predominantemente pelo efeito inibitório da dopamina, liberada pelo hipotálamo. A dopamina age por meio de seus receptores D2 presentes nas células lactotróficas.[11]Petersenn S, Fleseriu M, Casanueva FF, et al. Diagnosis and management of prolactin-secreting pituitary adenomas: a Pituitary Society international consensus statement. Nat Rev Endocrinol. 2023 Dec;19(12):722-40.
https://www.nature.com/articles/s41574-023-00886-5
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/37670148?tool=bestpractice.com
Outros fatores inibitórios são: endotelinas peptídicas, fator de crescimento tumoral-beta 1 e calcitonina.[12]Kanyicska B, Lerant A, Freeman ME. Endothelin is an autocrine regulator of prolactin secretion. Endocrinology. 1998 Dec;139(12):5164-73.
https://academic.oup.com/endo/article/139/12/5164/2991322
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9832457?tool=bestpractice.com
[13]Sarkar DK, Kim KH, Minami S. Transforming growth factor-beta 1 messenger RNA and protein expression in the pituitary gland: its action on prolactin secretion and lactotropic growth. Mol Endocrinol. 1992 Nov;6(11):1825-33.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1480172?tool=bestpractice.com
[14]Shah GV, Pedchenko V, Stanley S, et al. Calcitonin is a physiological inhibitor of prolactin secretion in ovariectomized female rats. Endocrinology. 1996 May;137(5):1814-22.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8612519?tool=bestpractice.com
Os estrogênios estimulam a proliferação das células lactotróficas, resultando em uma quantidade elevada dessas células em mulheres na pré-menopausa, especialmente durante a gravidez. A produção de PRL também é estimulada pelo hormônio liberador de tireotrofina (TRH), pelo peptídeo intestinal vasoativo e pela oxitocina.[7]Ben-Jonathan N, LaPensee CR, LaPensee EW. What can we learn from rodents about prolactin in humans? Endocr Rev. 2008 Feb;29(1):1-41.
https://academic.oup.com/edrv/article/29/1/1/2354965
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18057139?tool=bestpractice.com