História e exame físico

Principais fatores diagnósticos

comuns

dor na parte superior do abdome

Dor na região epigástrica média ou no quadrante superior esquerdo que irradia para as costas é o sintoma manifesto mais comum.[5][8][9][17][18]

  • Geralmente de início súbito, com aumento da gravidade em algumas horas antes da estabilização; geralmente um início mais agudo na pancreatite biliar que na pancreatite alcoólica.

  • Normalmente irradia para as costas (geralmente para a área torácica inferior, mas pode ter um padrão envolvente em forma de faixa).[49]

  • Geralmente constante e grave, mas pode ser variável (em casos raros, é indolor).

  • Pode ser descrito como “parecida com tomar uma facada”.

  • Normalmente piora com o movimento, e alguns pacientes sentem alívio ao assumir a posição fetal.

  • A intensidade e a localização da dor não estão correlacionadas com a gravidade da doença. Em casos raros, os pacientes se apresentam sem dor abdominal.

O exame abdominal pode revelar um abdome sensível e distendido com defesa voluntária à palpação do abdome superior.

  • Diminuição dos ruídos hidroaéreos (se houver desenvolvimento de íleo paralítico).

Practical tip

A intensidade e a localização da dor abdominal não se correlacionam com a gravidade. Uma pequena minoria de pacientes se apresenta sem qualquer dor abdominal.[18]

  • Uma dor descrita como incômoda, em cólica, ou localizada na parte inferior do abdômen, não é consistente com pancreatite aguda e sugere um diagnóstico alternativo.

  • Devido à localização anatômica do pâncreas, qualquer rigidez à palpação abdominal pode ser menos intensa que o esperado para o grau de dor que o paciente estiver sentindo.

náuseas e vômitos

A náusea é um dos sintomas mais comuns, ocorrendo em 70% a 80% dos casos.[49]

Os vômitos podem ocasionar desidratação, anormalidades eletrolíticas e alcalose metabólica hipocalêmica.[49]

sinais de hipovolemia

Podem incluir hipotensão, oligúria, membranas mucosas secas, diminuição do turgor cutâneo e sudorese.

  • Nos casos mais graves o paciente pode estar taquicárdico e/ou taquipneico.

sinais de derrame pleural

Redução localizada da ventilação e macicez à percussão (mais comum à esquerda).

  • Observada em até 50% dos pacientes com pancreatite aguda.[6]

anorexia

Uma diminuição do apetite é comumente observada.

  • Geralmente secundária às náuseas, dor e mal-estar geral[49]

presença de fatores de risco

Seu histórico deve abranger os fatores de risco, incluindo:[1][5][17][48][49]

  • Uso de álcool. A pancreatite relacionada ao álcool é observada com mais frequência nos homens, geralmente em uma idade mais jovem do que a pancreatite biliar.

    • Geralmente se manifesta após 4 a 8 anos de ingestão excessiva de álcool.

    • O consumo excessivo de álcool em um curto espaço de tempo aumenta o risco.[54]

  • História médica relevante:

    • Litíase biliar conhecida ou dor do tipo cólica biliar no passado.

    • Episódios anteriores de pancreatite aguda.

    • Hipertrigliceridemia (uma causa incomum).

    • Trauma ou procedimentos invasivos abdominais recentes, particularmente a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) - uma causa rara.

  • Medicação (por exemplo, azatioprina, mercaptopurina).

    • Existem dados limitados para apoiar um papel causal de outras drogas que foram implicadas (por exemplo, furosemida, estrogênios, diuréticos tiazídicos, sulfonamidas, tetraciclinas, sulindaco, valproato e L-asparaginase).[18][20][22][21]

  • Sintomas recentes de infecção (por exemplo, caxumba, micoplasma, vírus Epstein-Barr [uma causa rara]).

  • Uma história familiar detalhada para descartar doenças vasculares do colágeno, câncer ou pancreatite hereditária.

    • A pancreatite hereditária é muito rara e os pacientes geralmente a apresentam na primeira infância.

  • Tempo desde o início dos sintomas:

    • A maioria das pessoas se apresenta dentro de 12 a 24 horas após o início dos sintomas, no máximo.[49]

    • Os pacientes ocasionalmente se apresentam após vários dias de sintomas; nesse caso, seus níveis séricos de lipase/amilase podem ter voltado ao normal.

Practical tip

Não presuma que a pancreatite aguda de um paciente esteja relacionada ao álcool apenas porque ele bebe álcool.[8]

  • É improvável que o álcool seja a causa, a menos que o paciente tenha bebido muito (mais de 50 g ou 6 unidades por dia) por pelo menos 5 anos ou seja um bebedor compulsivo frequente.[18]

Outros fatores diagnósticos

Incomuns

sinais de disfunção orgânica

É crucial avaliar quanto a sinais de perda fluídica inicial, choque hipovolêmico e sintomas sugestivos de disfunção orgânica que possam requerer medidas de ressuscitação imediatas.[18][48]

  • Procure, particularmente, sinais de disfunção cardiovascular, respiratória ou renal.

  • Avalie quanto a sinais de síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS), a qual é definida por pelo menos dois dos quatro critérios a seguir e está associada a um pior prognóstico:

    1. Frequência cardíaca >90 bpm

    2. Frequência respiratória >20 respirações/minuto (ou PaCO2 <32 mmHg)

    3. Temperatura >38°C ou <36°C

    4. Contagem leucocitária >12 x 109/L ou <4 x 109/L

Procure também outros sintomas de possível disfunção orgânica, como agitação e confusão.

Practical tip

Nunca rotule um paciente como portador de doença leve até pelo menos 48 horas após a internação. A maioria dos pacientes que desenvolvem doença grave comparecerá ao pronto-socorro sem sinais iniciais de falência orgânica ou necrose pancreática.[18]

dispneia

Pode estar presente - causada por imobilização diafragmática secundária à dor ou devida a um derrame pleural ou síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).

icterícia

Pode estar presente na pancreatite biliar grave.

sinal de Chvostek

Em casos raros, pode haver espasmo muscular facial quando o nervo facial é tocado (sinal de Chvostek).

  • Anteriormente associada a hipocalcemia, mas parece ter sensibilidade e especificidade baixas.[56]


sinal de Chvostek
sinal de Chvostek

Demonstração do sinal de Chvostek: contração dos músculos faciais ipsilaterais em resposta a um toque no rosto anteriormente à orelha e abaixo do osso zigomático.


hematomas equimóticos e descoloração (sinal de Cullen/Grey-Turner/Fox) (raro)

A pancreatite hemorrágica complicada é muito rara e pode apresentar hematomas equimóticos e descoloração devido aos exsudatos da necrose pancreática.

  • Eles podem não ser observados em até 24 a 48 horas após o início dos sintomas e não são específicos da pancreatite aguda.

  • As áreas que podem ser afetadas incluem:[9][12]

    • A pele periumbilical (sinal de Cullen)

    • Ambos os flancos (sinal de Grey-Turner)

    • Ao longo do ligamento inguinal (sinal de Fox).

[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Sinal de Grey-Turner: descoloração do flanco em paciente com pancreatite agudaDe BMJ 2001; 322:595; usado com permissão [Citation ends].Sinal de Grey-Turner: descoloração do flanco em paciente com pancreatite aguda

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