Recomendações
Urgente
Suspeite de fibrilação atrial (FA) inicial se o paciente tiver um pulso irregularmente irregular com ou sem qualquer uma das seguintes apresentações:[3][32][33]
Palpitações - o principal sintoma
Dispneia
Dor torácica
Fadiga
Tontura
Poliúria
Síncope.
Realize a palpação manual do pulso e realize um ECG imediato. Faça um registro completo de ECG de 12 derivações.[1][3] Um traçado de ECG de derivação única ≥30 segundos é também diagnóstico.[1]
A irregularidade da frequência de pulso pode ser difícil de discernir durante frequências de pulso altas.[3]
Características diagnósticas da FA no ECG:[1]
Nenhuma atividade discernível ou distinta da onda P
E
Frequência ventricular irregularmente irregular (intervalos R-R; quando a condução atrioventricular não está comprometida).
Avalie com urgência a presença de:[1]
Características de instabilidade hemodinâmica com risco de vida
Sintomas de isquemia miocárdica aguda
Doença precipitante grave suspeita ou confirmada que requer cuidados hospitalares
FA associada a uma síndrome de pré-excitação, como a síndrome de Wolff-Parkinson-White
Sinais ou sintomas de AVC agudo.
Esses pacientes poderão precisar de cardioversão elétrica de emergência. [1][3] Consulte Manejo de emergência de pacientes hemodinamicamente instáveis em Recomendações de tratamento.
Procure orientação de um especialista em cardiologia/arritmia ou de um colega sênior se o paciente estiver hemodinamicamente comprometido ou se você não tiver certeza de como proceder.
Principais recomendações
É importante saber que 50% a 87% das pessoas com FA são inicialmente assintomáticas.[1]
Em cada apresentação aguda da FA, avalie:[1][3]
A presença de sinais de AVC
O risco de AVC usando o escore CHA2DS2-VASc[34] [ Escore de fibrilação atrial CHA(2)DS(2)-VASc para o risco de AVC Opens in new window ]
O risco de sangramento usando o escore ORBIT ou o escore HAS-BLED[3][34][35][36] [ Escore de Risco de Sangramento ORBIT Opens in new window ] [ Escore de risco de sangramento HAS-BLED Opens in new window ]
Fatores de risco, comorbidades e sequelas da apresentação
Duração do início da FA
Presença de instabilidade hemodinâmica
presença de edema pulmonar
Presença de isquemia aguda
Se existe uma causa subjacente que seja reversível.
Use esses fatores para orientar o manejo. Para obter mais detalhes, consulte Recomendações de tratamento.
Procure sintomas causados pela frequência ventricular elevada e irregular, tais como:
O principal sintoma
Podem ser descritas pelo paciente como “coração acelerado” ou “vibração no peito”
Podem durar de minutos a horas; ocorrem em repouso ou em atividade
Pode ser secundária à obesidade ou subjacente a:
Doença arterial coronariana (DAC)
Disfunção ventricular esquerda com ou sem edema pulmonar agudo. Consulte Insuficiência cardíaca aguda
Doença pulmonar
Pode estar diretamente relacionada à frequência ventricular elevada e irregular
Dor/aperto/desconforto torácico[1][3][32][37]
Frequentemente, devidos à frequência ventricular elevada e irregular; certifique-se de descartar uma isquemia relacionada à frequência cardíaca
Ansiedade[37]
Comprometimento cognitivo[33]
Devida à frequência ventricular elevada e irregular
Poliúria[33]
Devida a diurese e natriurese induzidas por taquicardia
Ocasionalmente: pré-síncope e síncope[1][3][37]
Como resultado da frequência ventricular elevada e irregular, o que causa redução do débito cardíaco e subsequente redução da perfusão cerebral.
Preste atenção especial a características que sugiram instabilidade hemodinâmica aguda:[1]
Síncope
Edema pulmonar agudo
Isquemia miocárdica em curso
Hipotensão sintomática
Choque cardiogênico.
Esses pacientes poderão precisar de cardioversão elétrica de emergência. Consulte Manejo de emergência de pacientes hemodinamicamente instáveis em Recomendações de tratamento.
Procure orientação de um especialista em cardiologia/arritmia ou de um colega sênior se o paciente estiver hemodinamicamente comprometido ou se você não tiver certeza de como proceder.
Practical tip
Embora a fibrilação atrial aguda se apresente geralmente como taquicardia por frequência ventricular elevada, na prática, observa-se às vezes bradicardia em idosos com doença de condução cardíaca relacionada à idade.
Lembre-se de que a primeira apresentação da FA pode ser com um AVC, insuficiência cardíaca ou isquemia cardíaca.[38] Consulte AVC isquêmico, AVC devido a hemorragia intracerebral espontânea, Insuficiência cardíaca aguda e Miocardite.
Procure deficits neurológicos focais, como hemiplegia ou disfasia.
Practical tip
Entre 50% e 87% das pessoas com FA são inicialmente assintomáticas.[1] Nesses grupos, a FA tende a ser diagnosticada incidentalmente durante exames físicos de rotina, avaliações pré-operatórias ou investigações populacionais.[39] A FA clínica assintomática tem sido associada de forma independente ao aumento do risco de AVC e mortalidade, em comparação com a FA sintomática.
Insuficiência cardíaca relacionada à FA
É importante saber que a FA pode se manifestar com insuficiência cardíaca, que pode ocorrer em um paciente com:
Insuficiência cardíaca descompensada devido a um incidente de FA, ou
FA que evolui para insuficiência cardíaca após o controle cronicamente desfavorável da frequência cardíaca; às vezes denominada taquicardiomiopatia, cardiomiopatia induzida por taquicardia ou cardiomiopatia induzida por arritmia.
Practical tip
Realize uma ecocardiografia transtorácica dentro de 48 horas após a admissão em pessoas com nova suspeita de insuficiência cardíaca na ausência de uma ecocardiografia recente.[40] Na prática, encaminhe a insuficiência cardíaca confirmada para um especialista.
Taquicardiomiopatia
Adote um alto índice de suspeita clínica em caso de uma apresentação inexplicável de insuficiência cardíaca.
Pacientes com taquicardiomiopatia geralmente apresentam FA aguda e sintomas e sinais inexplicáveis de insuficiência cardíaca.[41] Eles costumam apresentar FA “silenciosa” de início recente nas semanas ou meses anteriores, com frequência ventricular descontrolada que causa descompensação cardíaca.[42][43]
A taquicardiomiopatia é pouco reconhecida.
A apresentação costuma ser tardia após os sintomas de insuficiência cardíaca.
A taquicardiomiopatia é potencialmente reversível.
Faça uma anamnese completa, que inclua:[1][3]
Tempo desde o início dos sintomas
Tipo e intensidade dos sintomas
Fatores de risco relevantes e história médica
Possíveis desencadeantes e avaliação de doenças concomitantes.
Tempo desde o início dos sintomas
Fundamentalmente, procure verificar quando os sintomas começaram, prestando especial atenção se eles começaramnas últimas 24 horas, nas últimas 48 horas ou mais.
Isso afetará a abordagem de manejo. Consulte Melhor manejo de sintomas em Recomendações de tratamento.
Com base nas evidências mais recentes, as diretrizes de 2020 da European Society of Cardiology recomendam que o prazo seguro para cardioversão, sem necessidade estrita de anticoagulação pós-cardioversão, é de 24 horas após o início.[1] Por outro lado, em sua diretriz de 2014, o National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido recomenda o prazo de 48 horas a partir do início.[3]
A duração da FA (<48 horas ou ≥48 horas) afetará também as opções de controle do ritmo e se o paciente tem cardioversão precoce, tardia ou eletiva.[1]
Na prática, pode ser difícil determinar o tempo exato entre o início dos sintomas e o primeiro contato médico. No geral, há uma correlação fraca entre os sintomas e a FA.
Geralmente, o paciente só dará uma ideia aproximada de quando os sintomas começaram.
É possível que ele também tenha ignorado os sintomas por algum tempo até sentir que não podia mais tolerar os sintomas. Em alguns casos, o paciente pode ter tido FA assintomática.
Practical tip
Se não estiver claro quando os sintomas começaram, é mais seguro errar por excesso de cautela e tratar como se já se tivessem passado mais de 48 horas desde o início.
Tipo e intensidade dos sintomas
Lembre-se de que palpitações são o sintoma principal.[3][32]
Outros sintomas associados podem ocorrer em conjunto com as palpitações. Consulte Apresentação acima.
Lembre-se de que o paciente pode descrever episódios de sintomas menos graves ou de menor duração que precedem o episódio mais grave que o motivou a procurar assistência médica.
Pergunte sobre dores torácicas e dispneia.[32]
Use a escala modificada de sintomas da European Heart Rhythm Association (EHRA) para quantificar o estado dos sintomas do paciente antes e depois do início do tratamento.[1]
A escala de sintomas da EHRA avalia o efeito de seis sintomas (palpitações, fadiga, tontura, dispneia, dor torácica e ansiedade) durante a FA na atividade diária do paciente, variando de nenhum até uma frequência ou gravidade dos sintomas que causem a descontinuação das atividades diárias.[44]
Fatores de risco relevantes e história médica
Considere especificamente:
idade avançada[14]
Prevalência de FA: 0.5% em pessoas de 50 a 59 anos; 8.8% em pessoas de 80 a 89 anos[15]
Hipertensão
Insuficiência cardíaca
Aproximadamente 40% dos pacientes atendidos com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida e 50% dos pacientes atendidos com insuficiência cardíaca e fração de ejeção preservada apresentam FA no ECG.[16]
Diabetes
Associado a um aumento de 50% no risco de FA[13]
Apneia obstrutiva do sono
Obesidade
Associada a um aumento de 50% no risco de FA[19]
Doença arterial coronariana (DAC)
Prevalência na FA: 41%[21]
Doença valvar (em particular, doença da valva mitral e doença reumática cardíaca)
Outras doenças cardíacas (por exemplo, valvar, congênita, cardiomiopatia)[22]
Uso de álcool[24]
Intervenções cardiotorácicas prévias
Arritmias atriais prévias
AVC/ataque isquêmico transitório prévio
Hipertireoidismo
Níveis atléticos de atividade física
Dados limitados sugerem que atletas podem ter maior risco de desenvolver FA.[27]
Possíveis fatores desencadeantes
Priorize o tratamento de quaisquer fatores desencadeantes (por exemplo, uma afecção clínica subjacente) que você identificar, pois a FA só responderá ao tratamento quando o fator desencadeante estiver sob controle.[1] Concentre-se em descartar:
Infecção ativa; sepse[1][45][46]
Consulte Sepse em adultos
Consulte Avaliação da anemia
Desidratação
Consulte Insuficiência cardíaca aguda
Pericardite
Consulte Pericardite
Miocardite
Consulte Miocardite
Intervenção cirúrgica recente[1]
Doenças pulmonares (por exemplo, pneumonia, embolia pulmonar, edema pulmonar agudo)[1][32]
Consulte Visão geral da pneumonia e Embolia pulmonar
Distúrbios metabólicos (por exemplo, hipomagnesemia, distúrbio ácido-básico)
Disfunção tireoidiana
Pode ser também hipotireoidismo
Consulte Visão geral da disfunção tireoidiana
Uso de substâncias ilícitas
Feocromocitoma (raro).
Practical tip
Se o paciente apresentar delirium, demência, afasia pós-AVC ou comprometimento da comunicação por qualquer motivo, verifique se há retenção urinária aguda como fator desencadeante da taquiarritmia.
O paciente poderá relatar o consumo de bebidas alcoólicas como gatilho para o episódio de FA.
O consumo esporádico intenso de álcool (binge drinking) é um gatilho conhecido para a FA.[24][25]
O consumo regular leve a moderado de bebidas alcoólicas (<14 unidades/semana) sem consumo esporádico intenso de álcool (binge drinking) não está associado a aumento do risco de FA.[23]
No entanto, o consumo regular e intenso de álcool (>14 unidades/semana) está associado a aumento do risco de FA.[23]
Practical tip
Use o mnemônico PIRATES para ajudar a lembrar as causas comuns:
Pulmonar (pneumonia; embolia pulmonar; doença pulmonar)
Isquemia/infarto/idiopática
Doença valvar Rreumática (estenose mitral ou regurgitação)
Álcool/anemia/idade/tônus autonômico
Doença da Tireoide (hipertireoidismo)
Elevação da pressão arterial/eletrólitos/endocardite
Sepse/apneia do sono/cirurgia
As prioridades são:
Determinar a duração dos sintomas[1]
Procurar doenças concomitantes que possam ser a causa subjacente da FA[1][32]
Identificar sequelas relacionadas à FA, tais como AVC, tromboembolismo sistêmico e insuficiência cardíaca.[1]
Realize a palpação manual do pulso da artéria radial para avaliar a presença de pulso irregular em qualquer paciente que apresente qualquer um dos seguintes sintomas:[3]
Palpitações
Dispneia
desconforto torácico
Síncope/tontura
AVC/ataque isquêmico transitório.
Lembre-se de que o pulso irregular apenas na palpação é característico, mas não diagnóstico, da FA. O ECG é o padrão ouro para o diagnóstico da FA.[1] Consulte Investigações abaixo.
Practical tip
Uma vez que o diagnóstico de FA só pode ser confirmado com um ECG, é difícil diferenciar condições alternativas com base apenas na anamnese ou no exame físico. Os diferenciais comuns incluem flutter atrial e taquicardia atrial, que são discerníveis no ECG como uma taquicardia supraventricular, que é um ritmo mais organizado do que a FA. Para obter mais informações, consulte Diferenciais.
Ausculte o coração e os pulmões.[32] Verifique a presença de:
Intensidade variável da primeira bulha cardíaca[47]
Estertores[48]
Se bilateral: sugere insuficiência cardíaca
Se unilateral: pode sugerir pneumonia
Sibilo cardíaco
Secundário a insuficiência cardíaca ± edema pulmonar.
O exame físico inicial deve também verificar:
A - Patência das vias aéreas
B - Respiração, incluindo saturação de oxigênio
Para determinar se há um componente respiratório significativo
C - Circulação
Frequência cardíaca
Pressão arterial[32]
Pressão venosa jugular (PVJ)
Verifique a presença de PVJ elevada e ausência de ondas 'a'
D - Incapacidade; verifique o nível de consciência
Use a Escala de Coma de Glasgow ou a escala AVPU [alerta, responde ao estímulo verbal, responde ao estímulo doloroso, sem resposta clínica]. [ Escala de coma de Glasgow Opens in new window ]
Evidência: precisão diagnóstica da palpação do pulso para detectar FA
A palpação em busca de um pulso irregular é sensível na detecção da fibrilação atrial inicial em pessoas com 65 anos de idade ou mais, embora o número de falsos-positivos seja alto.
Na diretriz de 2006 sobre FA, o National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido (NICE) realizou uma revisão de evidências sobre a sensibilidade de um pulso irregular como teste de rastreamento para FA.[3] Foram identificados dois estudos, ambos em ambiente de atenção primária no Reino Unido em pessoas com mais de 65 anos de idade com diagnóstico de FA confirmado por ECG.[49][50]
A palpação do pulso em busca de qualquer irregularidade foi sensível para detectar FA (93% a 100%, dependendo da idade e do sexo), sendo improvável a presença de FA se o pulso estivesse normal (valor preditivo negativo >96%).[50]
A especificidade caiu para 71% em pessoas com mais de 75 anos de idade; no entanto, o valor preditivo positivo (VPP - a proporção de resultados positivos que são verdadeiros positivos) foi maior nas pessoas com mais de 75 anos devido ao aumento da prevalência de FA nessa população (VPP em mulheres de 65 a 74 anos: 12%; mulheres ≥75 anos: 23%; homens de 65 a 74 anos: 8%; homens ≥75 anos: 14%).[50]
Em um programa de rastreamento conduzido por enfermeiros, quando utilizado o critério de qualquer irregularidade de pulso, a sensibilidade foi de 91%, e a especificidade, de 74%. Houve uma mudança quando utilizada a irregularidade contínua (sensibilidade 54%, especificidade 98%).[49]
O número necessário para o rastreamento para identificar mais um paciente com FA foi de 31 (IC de 95% 23 a 50).
O NICE mencionou também o estudo Screening for Atrial Fibrillation in the Elderly (SAFE), um ensaio clínico randomizado e controlado e estudo de custo-efetividade publicado em outubro de 2005 (fora dos limites de data da pesquisa sistemática na literatura).[51][52]
Assim, confirmou-se a precisão diagnóstica da palpação de pulso (sensibilidade 87.2%, especificidade 81.3%; falsos-negativos 2% e falsos-positivos 70%).
O modelo econômico mostrou que a detecção oportunista de casos de FA é mais custo-efetiva do que o rastreamento sistemático, com menos AVCs isquêmicos e uma maior proporção de FA diagnosticada.
O NICE não considerou necessário atualizar essas evidências quando atualizou a diretriz em 2021.
Practical tip
Na prática, uma avaliação precisa da frequência e da regularidade do pulso pode exigir palpação das carótidas ou ausculta. A palpação de outros locais pode causar diminuição da perfusão, o que possivelmente influencia os achados. Além disso, pode ser difícil discernir o pulso irregular se a frequência de pulso for muito elevada ou baixa.
Procure a opinião de um especialista em arritmia ou cardiologista para qualquer paciente com:
Características de instabilidade hemodinâmica com risco de vida
Hipotensão sintomática (pressão arterial sistólica <90 mmHg) ou outros sinais de choque
Dor torácica ou evidências de isquemia miocárdica no ECG
Sinais de redução da perfusão cerebral (rebaixamento do nível de consciência/Escala de Coma de Glasgow, síncope)
sinais de insuficiência cardíaca
Taquicardia persistente
Angina grave ou agravamento da função do ventrículo esquerdo
Ataque isquêmico transitório ou AVC
Suspeita de insuficiência cardíaca
Consulte Insuficiência cardíaca aguda
Uma síndrome de pré-excitação, como a síndrome de Wolff-Parkinson-White[53]
Consulte Síndrome de Wolff-Parkinson-White
Suspeita de doença cardíaca estrutural subjacente em quem é jovem
Frequência cardíaca descontrolada
Consulte Recomendações de tratamento
Bradicardia sintomática não passível de redução de agentes de controle de frequência cardíaca. Consulte a seção Manejo.
Consulte Recomendações de tratamento.
Entre em contato com um colega sênior se não houver orientação de um especialista em cardiologia disponível (por exemplo, fora do horário de expediente).
Esses grupos poderão precisar de cardioversão elétrica urgente. Consulte Manejo de emergência de pacientes hemodinamicamente instáveis em Recomendações de tratamento.
A anticoagulação não requer rotineiramente a orientação de um especialista (e deve ser iniciada imediatamente/precocemente em todos os pacientes adequados).[1]
Todos os pacientes
eletrocardiograma (ECG)
Realize um ECG imediato em qualquer paciente com pulso irregular, sintomático ou não, com suspeita de FA.[1][3][32] Faça um registro completo de ECG de 12 derivações.[1][3] Um traçado de ECG de derivação única ≥30 segundos é também diagnóstico.[1]
O ECG é o padrão ouro para o diagnóstico da FA.[1] O pulso irregular apenas na palpação é característico, mas não diagnóstico, da FA.
Procure as características marcantes da FA no ECG:[1]
Nenhuma atividade discernível ou distinta da onda P (linha basal caótica)
E
Frequência ventricular irregularmente irregular (intervalos R-R; quando a condução atrioventricular não está comprometida)
[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Fibrilação atrialDo acervo de Arti N. Shah e Bharat K. Kantharia [Citation ends].
Practical tip
Não confie no computador. A interpretação computadorizada do ECG é propensa a erros, principalmente em pacientes com ritmo contínuo ou intermitente.[54][55] Certifique-se de que qualquer interpretação automatizada seja verificada pessoalmente por alguém experiente na interpretação de ECGs. Os ectópicos ventriculares/atriais são diferenciais essenciais para um pulso irregularmente irregular.
Além de servir de base para o diagnóstico, use o ECG para verificar a presença de:
defeitos de condução
Se houver FA e bloqueio de condução atrioventricular, há geralmente presença de um ritmo de escape ventricular regular e lento, sem ondas P distintas
Isquemia ou doença cardíaca estrutural
Pode haver alterações da onda ST–T; causadas por isquemia relacionada à frequência cardíaca, terapia com digoxina ou doença cardíaca estrutural (como cardiomiopatia obstrutiva hipertrófica)
Doença cardíaca estrutural subjacente
Distúrbios elétricos primários, como o padrão de Brugada (bloqueio do ramo direito com supradesnivelamento do segmento ST nas derivações V1-3) ou uma síndrome de pré-excitação, como a síndrome de Wolff-Parkinson-White. Consulte Síndrome de Wolff-Parkinson-White.
Practical tip
É fácil deixar passar despercebidos pacientes com FA e bloqueio atrioventricular total. Fique atento às principais características no ECG:[56]
Ausência de ondas P distintas; apenas ondas fibrilares de FA
Ritmo ventricular regular
Quanto maior o QRS do ritmo de escape ventricular, menos confiável é o mecanismo de escape.
Esses pacientes geralmente precisarão de um marca-passo (se não estiverem tomando medicamentos limitadores da frequência cardíaca).
Como registrar um ECG. Demonstra a colocação de eletrodos no tórax e nos membros.
Investigações laboratoriais
Tão logo possível, envie amostras de sangue para análise hematológica e bioquímica de rotina. Não atrase o tratamento aguardando os resultados desses testes; inicie o tratamento imediatamente (pode ser necessária cardioversão urgente).
Certifique-se de que o perfil sanguíneo para todos os pacientes inclua:
Para detectar fatores não cardíacos que desencadeiem a FA (por exemplo, anemia ou infecção)
coagulograma[32]
Tome como linha basal para identificar qualquer paciente com defeito de coagulação subjacente e servir de base para o manejo com anticoagulantes
Incluindo eletrólitos, ureia, creatinina
Para descartar comprometimento renal, hipocalemia, hipercalemia e hipomagnesemia
A doença renal crônica é um fator de risco cardíaco geral e um fator de risco específico para FA[57]
Estime o clearance da creatinina com a equação de Cockroft-Gault; isso ajudará a determinar a dosagem do anticoagulante [ Estimativa do Clearance de Creatinina pela Equação de Cockcroft-Gault Opens in new window ]
Para descartar tireotoxicose (supressão do hormônio estimulante da tireoide com T4 e/ou T3 livres elevados).
Radiografia torácica
Solicite uma radiografia torácica como rotina para todas as apresentações cardíacas, especialmente se suspeitar de patologia pulmonar.
ecocardiografia transtorácica
De acordo com as diretrizes de 2020 da European Society of Cardiology, solicite uma ecocardiografia transtorácica (ETT) para todos os pacientes para verificar:[1]
Tamanho e função do ventrículo esquerdo
Tamanho do átrio esquerdo
Valvopatia
Tamanho e função do ventrículo direito.
Lembre-se de que as diretrizes de 2014 do National Institute for Health and Care Excellence do Reino Unido recomendam solicitar uma ETT apenas em circunstâncias específicas, especialmente para pessoas com FA:
Para quem uma ecocardiografia basal seja importante para o manejo em longo prazo[3]
Na prática, isso ocorrerá quando não houver uma causa não cardíaca reversível evidente que provavelmente não tenha outras consequências cardíacas (por exemplo, infecção ou tireotoxicose)
Para quem esteja sendo considerada uma estratégia de controle do ritmo que inclua cardioversão (elétrica ou farmacológica)[3]
Em quem haja alto risco ou suspeita de doença cardíaca estrutural/funcional subjacente (como insuficiência cardíaca ou sopro cardíaco) que influencie o manejo subsequente (por exemplo, escolha de antiarrítmico)[3]
Em quem seja necessário refinar a estratificação do risco clínico para terapia antitrombótica.[3]
Practical tip
Realize uma ecocardiografia transtorácica dentro de 48 horas após a admissão em pessoas com nova suspeita de insuficiência cardíaca na ausência de uma ecocardiografia recente.[40] Na prática, encaminhe a insuficiência cardíaca confirmada para um especialista.
Pacientes selecionados
Investigações laboratoriais
Solicitação para pacientes selecionados:
Troponina cardíaca[1]
A troponina T cardíaca de alta sensibilidade pode estar elevada por taquicardia prolongada ou após uma cardioversão CC, mas não nos níveis normalmente observados no infarto do miocárdio e nas síndromes coronarianas agudas
gasometria arterial
Para descartar hipóxia
proteína C-reativa[1]
Peptídeo natriurético do tipo B (BNP)/fragmento N-terminal do peptídeo natriurético do tipo B (NT-proBNP)[1]
Testes da função hepática (TFHs)[32]
Use para descartar a presença de um distúrbio multissistêmico que afeta o fígado
Use também para orientar a escolha de antiarrítmicos adequados e para monitorar a terapia antiarrítmica. A amiodarona, por exemplo, é contraindicada na presença de disfunção hepática; o tratamento com amiodarona deverá ser descontinuado quando os TFHs mostrarem anormalidades[58]
Velocidade de hemossedimentação.
ecocardiografia transesofágica (ETE)
Discuta com um cardiologista sobre a possibilidade de realizar uma ETE, se disponível, em pessoas com fibrilação atrial quando:[1][3]
A ETT demonstrar alguma anormalidade (como valvopatia cardíaca) que justifique uma avaliação mais específica
A ETT for tecnicamente difícil e/ou de qualidade questionável e houver necessidade de descartar anormalidades cardíacas
Estiver considerando a cardioversão guiada por ETE.
Practical tip
A ETE pode não estar prontamente disponível nos ambientes usuais de atendimento (por exemplo, pronto-socorro ou consultório de clínica geral). Portanto, na prática, baseie as decisões de manejo na provável duração da arritmia, em vez de na presença ou ausência de coágulo intracardíaco no exame de imagem ecocardiográfico.
[Figure caption and citation for the preceding image starts]: Ecocardiografia transesofágica mostrando coágulo no apêndice atrial esquerdo. AE, átrio esquerdo; AAE, apêndice atrial esquerdo; VE, ventrículo esquerdoDo acervo de Dr. Bharat Kantharia [Citation ends].
Outras investigações
Considere, com base nas apresentações individuais dos pacientes:
Telemetria para pacientes hospitalizados ou monitoramento por Holter de 24 horas[1][32]
Para avaliar o controle da frequência cardíaca e/ou bradicardia, distúrbios de condução
Para ajudar a ajustar medicamentos usados para controlar a frequência cardíaca ou o ritmo
Angiografia coronariana (TC ou convencional) ou teste ergométrico[1]
Em caso de suspeita de doença arterial coronariana significativa com base na história e no perfil dos fatores de risco do paciente
Ressonância nuclear magnética cardíaca (RNMC) tardia com contraste de gadolínio[1]
Se, após a ETE/ETT, houver suspeita de doença cardíaca estrutural ou processo cardiomiopático, a RNMC tardia com contraste de gadolínio pode ajudar a orientar as decisões de manejo
Exame de imagem cerebral: TC ou RNM[1]
Em pacientes com FA e sinais de isquemia cerebral ou AVC, o exame de imagem do cérebro pode ajudar a detectar um AVC e orientar as decisões de manejo em relação ao manejo do quadro agudo e à anticoagulação em longo prazo
Angiografia pulmonar por tomografia computadorizada (APTC)
Se a FA for secundária a embolia pulmonar. Na maioria dos pacientes, a APTC é a investigação preferida para confirmação definitiva de embolia pulmonar.[60][61] Consulte Embolia pulmonar.
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