Considerações de urgência

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Sepse

É importante considerar a sepse em crianças indispostas e febris com claudicação aguda, que não conseguem levantar peso ou mover a articulação (artrite séptica ou osteomielite).[13]

A sepse é um espectro de doença na qual existe uma resposta sistêmica e desregulada do hospedeiro a uma infecção.[14] A apresentação varia desde sintomas súbitos e inespecíficos (por exemplo, indisposição com temperatura normal) a sinais graves com evidências de disfunção de múltiplos órgãos e choque séptico. Os pacientes podem apresentar sinais de taquicardia, taquipneia, hipotensão, febre ou hipotermia, enchimento capilar lentificado, pele manchada ou pálida, cianose, estado mental recém-alterado, débito urinário reduzido.[13] A sepse e o choque séptico são emergências médicas.

Os fatores de risco para sepse incluem: idade inferior a 1 ano, imunidade prejudicada (por doença ou medicamentos), cirurgia ou outros procedimentos invasivos recente, qualquer violação da integridade da pele (por exemplo, cortes, queimaduras) e acessos venosos ou cateteres de demora.[13]

O reconhecimento precoce da sepse é essencial porque o tratamento precoce melhora os desfechos.[13][15][Evidência C]​​​​​​ Contudo, a detecção pode ser desafiadora porque o quadro clínico da sepse pode ser sutil e inespecífico. A chave para o reconhecimento precoce é a identificação sistemática de qualquer paciente que tenha sinais ou sintomas sugestivos de infecção e esteja em risco de deterioração devido à disfunção orgânica. Foram desenvolvidos critérios para identificar sepse e choque séptico em crianças e pessoas menores de 18 anos.[16]​ Existem várias outras abordagens de estratificação de risco. Todas contam com uma avaliação clínica estruturada e o registro dos sinais vitais do paciente.[13]​​[16][17]​​​​​[18]​​​​​[19] ​ É importante consultar as orientações locais para obter informações sobre a abordagem recomendada pela sua instituição. A cronologia das investigações e tratamentos deve ser orientada por essa avaliação inicial.[19]

A Surviving Sepsis Campaign produziu diretrizes de tratamento que constituem ainda hoje o padrão mais amplamente aceito.​[15]​ Na primeira hora:[15]

  • Siga os protocolos institucionais para o manejo da sepse/choque séptico em crianças; estes melhoram a velocidade e confiabilidade do atendimento

  • Obtenha hemoculturas antes de administrar antibióticos (desde que isso não protele substancialmente a administração de antibióticos)

  • Administre antibióticos de amplo espectro

  • Administre cristaloides, ajustados pelos sinais clínicos de débito cardíaco e interrompidos se houver evidências de sobrecarga de volume. Consulte os protocolos locais.

Use as tendências dos níveis séricos de lactato para orientar a ressuscitação. Se a hipotensão da criança for refratária à ressuscitação fluídica, considere o uso de vasopressores.[15]

​Vários estudos demonstraram a importância dos cuidados protocolizados e dos pacotes de assistência na sepse pediátrica.[15][20][21][22][23][24]​​​​​​​​​

Para obter mais informações, consulte o tópico Sepse em crianças no BMJ Best Practice.

Neoplasia maligna

Deve-se suspeitar de neoplasia maligna nas crianças com dor persistente, dor óssea, abaulamento de ossos/tecidos moles e comprometimento sistêmico (febre, perda de peso, sudorese noturna ou presença de linfadenopatia, massa abdominal ou organomegalia). As queixas musculoesqueléticas são comuns nos sintomas de apresentação da leucemia infantil.[10]​ A detecção precoce e a terapia imediata podem reduzir a mortalidade.

Lesão não acidental

A presença de marcas não habituais na pele, vários hematomas em idades diferentes, instâncias recorrentes de lesões "inexplicadas", protelação da apresentação e certos tipos de lesões (fraturas metafisárias em "alça de balde", fraturas de osso longo, fraturas nas regiões posteriores das costelas) devem aumentar a suspeita de lesão não acidental. Em caso de suspeita de lesão não acidental, ou se qualquer comportamento desencadear preocupações de proteção, as políticas locais devem ser seguidas.[25][26][27]

Distúrbios inflamatórios

Os distúrbios inflamatórios podem se manifestar com fadiga, erupção cutânea, mialgia, artralgia, dor, febre, mal-estar e comprometimento multissistêmico. Em alguns casos de artrite inflamatória (como artrite idiopática juvenil ou doença muscular inflamatória), a manifestação pode ser indolente com regressão do desenvolvimento motor, com ou sem comprometimento sistêmico. Há morbidade e mortalidade significativas associadas a retardos no diagnóstico e a acesso a tratamento adequado. Quando houver suspeita, o encaminhamento imediato ao reumatologista pediátrico é recomendado e não deve ser protelado enquanto se esperarem os resultados das investigações. As vias locais de encaminhamento podem diferir, e é importante saber como procurar orientação quando necessária.

Mais informações sobre medicina musculoesquelética pediátrica, incluindo sinais de alerta, habilidades clínicas e orientações sobre exames musculoesqueléticos (pGALS, pREMS), investigações e orientações de encaminhamento, estão disponíveis no Paediatric Musculoskeletal Medicine (PMM). Paediatric Musculoskeletal Matters (PMM): an e-resource to aid teaching and learning about the essentials of paediatric musculoskeletal medicine Opens in new window

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