Etiologia
As causas de náuseas e vômitos são extensas e podem ser resumidas nas categorias abrangentes a seguir.
Inflamação da mucosa gastrointestinal
Irritação da mucosa do esôfago, estômago ou duodeno; varia de gastrite a ulceração franca.
As causas incluem úlcera péptica (UP), esofagite, radiação e gastrite.[3]
Infecções gastrointestinais
Gastroenterite bacteriana ou viral, aguda e crônica.
Intoxicação alimentar.
Cardíaca
As causas incluem síndrome coronariana aguda e síndrome da taquicardia ortostática postural.
Distúrbios do sistema nervoso central (SNC)
Incluem enxaqueca, infecções do SNC como meningite e abscesso cerebral, tumores, como o astrocítico, convulsão focal com consciência comprometida (antes conhecida como crises parciais complexas), lesões no nervo vestibular variando de cinetose a schwannoma vestibular, AVC e doença de Parkinson.
Distúrbios metabólicos e endocrinopatias
Diabetes do tipo 1 e 2, hipercalcemia, hipotireoidismo e hipertireoidismo estão associados a náuseas, vômitos e gastroparesia.[4][5][6][7] Suspeite de cetoacidose diabética se houver náusea e/ou vômito em um paciente com diabetes conhecido, aumento da sede, poliúria, perda de peso inexplicável recente ou cansaço excessivo.[8]
A insuficiência adrenal pode se apresentar como uma emergência médica com náuseas, vômitos, depleção de volume e sódio baixo.
Obstrução gastrointestinal mecânica ou manipulação
Inclui obstruções luminais do piloro para o cólon e obstrução do ducto cístico, do ducto biliar comum ou do ducto pancreático.
Pode ser decorrente de aderências, estenoses ou tumores.
Pós-vagotomia ou pós-ressecção de qualquer região importante do estômago (por exemplo, fundo, antro). Podem ocorrer náuseas crônicas e gastroparesia após a fundoplicação.
Pseudo-obstruções gastrointestinais
Os pacientes apresentam gastroparesia e intestino delgado ou cólon dilatados; alguns pacientes também apresentam doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) decorrente de um atraso no esvaziamento gástrico e de sucos gástricos retidos por mais tempo disponíveis como refluxado. Além disso, na obstrução do intestino delgado decorrente de causas mecânicas ou na pseudo-obstrução, os líquidos do intestino delgado se movem no sentido contrário para o estômago e, então, para o esôfago, induzindo a DRGE.
Pode haver disfunção neuromuscular de todo o trato gastrointestinal.
Os sintomas que sugerem obstrução mecânica do trato gastrointestinal podem ser atribuídos à dilatação do estômago, duodeno, intestino delgado ou cólon.
Associados a anormalidades graves no músculo liso, no sistema nervoso intrínseco ou extrínseco ou nas células intersticiais do trato gastrointestinal.
As doenças degenerativas de nervos entéricos, músculos lisos ou células intersticiais de Cajal podem ser os mecanismos primários.
Doenças neuromusculares gástricas
Variam de disritmias gástricas a gastroparesia franca.[9][10]
As disritmias gástricas são comuns nos pacientes com doenças neuromusculares gástricas; muitos terão gastroparesia documentada.
Alguns pacientes apresentam anormalidades no relaxamento gástrico ou hipersensibilidade visceral.
Outros pacientes têm anticorpos circulantes contra nervos e/ou músculos gastrointestinais.[11]
Irritação do peritônio
Causa incomum de náuseas e vômitos, mas pode resultar de um abscesso intra-abdominal, de infecção peritoneal bacteriana ou fúngica crônica, ou de um carcinoma.
Neoplasia maligna
O câncer infiltrante do estômago pode apresentar náuseas, vômitos e gastroparesia.
Os cânceres de ovário, carcinoma de células renais e câncer pulmonar de células pequenas com síndromes paraneoplásicas estão associados à gastroparesia.
Transtornos alimentares
Sintoma comum associado ao distúrbio psicológico de bulimia nervosa, mas também pode ser parte do subtipo compulsão/purgativo da anorexia nervosa.
A gastroparesia em pacientes com transtornos alimentares como anorexia nervosa, bulimia nervosa ou vômitos psicogênicos provavelmente é decorrente da subnutrição.[7]
Gastroparesia isquêmica
A gastroparesia pode ser causada por isquemia mesentérica crônica, que ocorre quando 2 de 3 artérias mesentéricas são ocluídas, geralmente por placas ateroscleróticas.[12][13]
Manifesta-se com muito pouca dor.
Gestação
No primeiro trimestre da gestação, 80% das gestantes têm náuseas e vômitos.[14]
Na hiperêmese gravídica, náuseas e vômitos são incessantes. Podem ocorrer depleção de volume e tontura ou síncope.
A hiperêmese gravídica pode estar associada a disfunção autonômica e entérica mensurável.[15]
Tóxica
Quase todos os medicamentos induzem náuseas e vômitos dose-dependentes.
Os anti-inflamatórios não esteroidais são uma causa comum. Os outros incluem: antidepressivos, opioides, antiarrítmicos, hormônios como estrogênio e progesterona, quimioterapia, teofilina, e a digoxina.[1][3][16] Os medicamentos específicos que estão associados a uma alta incidência de náuseas incluem a lubiprostona, a metformina e a exenatida.
Sintomas crônicos podem se desenvolver em alguns pacientes após a exposição a antibióticos ou agentes anestésicos.
A hiperêmese por canabinoides foi descrita principalmente em jovens adultos que são usuários crônicos.[17]
Em uma série de casos, todos os pacientes tinham idade inferior a 50 anos. A maioria tinha usado cannabis por mais de 2 anos e com uma frequência de mais de uma vez por semana. A dor abdominal, bem como as náuseas/vômitos, foi comum (86% dos pacientes).[18]
Os pacientes com hiperêmese canabinoide geralmente relatam alívio com chuveiradas ou banhos quentes (sugerindo ativação do sistema nervoso autônomo).[18][19]
Renal
As causas incluem nefrolitíase e uremia.
Transtorno de sintomas somáticos
Diagnósticos de exclusão. Vômitos persistentes sugerem um diagnóstico alternativo.
Os pacientes apresentam outros sintomas como desconforto epigástrico vago, saciedade precoce e sensação de plenitude prolongada.
Denominados dispepsia "funcional" ou síndrome do sofrimento pós-prandial, pois os pacientes não apresentam evidências de doença estrutural nos exames (incluindo a endoscopia digestiva alta).[20]
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