Critérios

Estabeleça o diagnóstico de pancreatite aguda por meio de uma combinação de critérios clínicos, laboratoriais e de imagem.

Ferramentas de escore de gravidade, como APACHE II e Glasgow, têm valor limitado e geralmente não são recomendadas por diretrizes baseadas em evidências.[18][29][48][50][51]

Critérios da International Association of Pancreatology/American Pancreatic Association/American College of Gastroenterology[18][48]

Dois de três dos critérios a seguir devem ser atendidos para o diagnóstico de pancreatite aguda:

  • Clínico (dor na parte superior do abdome)

  • Laboratoriais (amilase ou lipase sérica >3 o limite superior do normal)

  • Critérios de exames de imagem (tomografia computadorizada [TC], ressonância magnética [RM] e ultrassonografia).

Critérios de Ranson (pancreatite não biliar)[17][90]

Usado para a predição de pancreatite aguda grave – não diagnóstico.

Critérios de internação: idade > 55 anos; glicose >11.1 mmol/L (>200 mg/dL); contagem leucocitária > 16 x 10⁹/L (>16 x 10³/microlitro); aspartato aminotransferase sérica (AST; transaminase glutâmico-oxaloacética sérica [SGOT]) > 250 unidades/L; e lactato desidrogenase sérica (LDH) > 350 unidades/L.

Critérios após 48 horas da internação: queda no hematócrito (Hct) >10%; sequestro de fluido estimado >6 L; déficit de base >4 mEq/L; aumento do nitrogênio ureico no sangue >1.8 mmol/L (>5 mg/dL); cálcio sérico <2 mmol/L (<8 mg/dL); PO2 <8 kPa (60 mmHg).

Número dos critérios e mortalidade aproximada (%):

  • 0 a 2 = 0%

  • 3 a 4 = 15%

  • 5 a 6 = 50%

  • >6 = 100%.

Critérios de Ranson (associados com a vesícula biliar)[17]

Usado para a predição de pancreatite aguda grave – não diagnóstico.

Critérios na internação: idade >70 anos; glicose >12.2 mmol/L (> 220 mg/dL); contagem de leucócitos > 18 x 10/L (> 18 x 10³/ microlitro); AST sérico (SGOT) > 250 unidades/L; e LDH sérico >400 unidades/L.

Critérios após 48 horas de internação: queda de Hct >10%; sequestro estimado de líquidos >4 L; déficit básico >5 mEq/L; aumento de nitrogênio ureico no sangue > 0,7 mmol/L (>2 mg/dL); cálcio sérico <2 mmol/L (<8 mg/dL).

Índice de gravidade à tomografia computadorizada (TC) de Balthazar[90][91]

Usado para graduar a gravidade – não diagnóstico.

Características da TC e score:

  • Grau I

    • Glândula normal = 0

    • Aumento focal/difuso = 1

    • Inflamação peripancreática = 2

    • Única coleção de fluidos pancreáticos = 3

    • Duas ou mais coleções de fluidos ou abscesso = 4.

  • Necrose II

    • Nenhum = 0

    • <30% = 2

    • 30% a 50% = 4

    • >50% = 6.

Pontuação de morbidade e mortalidade de Balthazar:

(score = morbidade [%]/mortalidade [%])

  • 0 a 3 = 8%/3%

  • 4 a 6 = 35%/6%

  • 7 a 10 = 92%/17%.

Critérios de prognóstico de Glasgow (critérios de Imrie)[92]

O sistema de Glasgow é um sistema prognóstico simples que utiliza idade e 7 valores laboratoriais coletados durante as primeiras 48 horas após a hospitalização para pancreatite e prediz a pancreatite grave. É aplicável para ambas as pancreatites, biliar e alcoólica.

Um ponto é determinado se um certo ponto de parada for atingido em qualquer momento durante aquele período de 48 horas.

Os parâmetros e os pontos de parada são:

  • Idade >55 anos = 1 ponto

  • Albumina sérica <32 g/L (<3.2) g/dL) = 1 ponto

  • PO2 arterial no ar ambiente <8 kPa (<60 mmHg) = 1 ponto

  • Cálcio sérico <2 mmol/L (<8 mg/dL) = 1 ponto

  • Glicemia >10.0 mmol/L (>180 mg/dL) = 1 ponto

  • LDH sérico >600 unidades/L = 1 ponto

  • Nitrogênio ureico sérico >16.1 mmol/L (>45 mg/dL) = 1 ponto

  • Contagem leucocitária >15 x 10/L (>15 x 10³/microlitro) = 1 ponto.

A adição dos pontos de parâmetro rende os critérios prognósticos de Glasgow. O score pode variar de 0 a 8. Se o score for >2, a probabilidade da pancreatite grave é alta. Se o score for <3, a pancreatite grave é improvável.

A inflamação extrapancreática no escore da tomografia computadorizada[52][93][94]

A inflamação extrapancreática no escore da tomografia computadorizada avalia a gravidade da pancreatite aguda com base nas complicações extrapancreáticas. O escore varia de 0 a 7, com base nos achados da TC. Os escores 0 a 3 são associados a 0% de mortalidade. Os escores de 4 a 7 são associados a 67% da mortalidade.

Sinais da inflamação extrapancreática e escore:

  • Derrame pleural

    • Nenhum = 0

    • Unilateral = 1

    • Bilateral = 2.

  • Ascite em quaisquer destes locais: periesplênico, peri-hepático, interalças, pelve

    • Nenhum = 0

    • Um local = 1

    • Mais de um local = 2.

  • Inflamação retroperitoneal

    • Nenhum = 0

    • Unilateral = 1

    • Bilateral = 2.

  • Inflamação mesentérica

    • Ausente = 0

    • Presente = 1.

Índice de Avaliação de Fisiologia Aguda e Doença Crônica II (APACHE II)[95]

O índice APACHE é comumente usado para estabelecer a gravidade da doença na unidade de terapia intensiva (UTI) e prever o risco de morte. [ Sistema de escore APACHE II Opens in new window ] Há um alto risco de morte se o índice for 25 ou superior.

Classificação de Atlanta revisada[2]

A classificação revisada da pancreatite aguda identifica uma fase inicial e tardia da doença. A gravidade é classificada como leve, moderada ou grave.[2]

  • Pancreatite aguda leve: a forma mais comum, não apresenta falência de órgãos nem complicações locais ou sistêmicas, e geralmente remite na primeira semana.

  • Pancreatite aguda moderadamente grave: presença de falência transitória de órgãos (resolve dentro de 48 horas) e/ou complicações locais ou exacerbação de comorbidades.

  • Pancreatite aguda grave: falência orgânica persistente (>48 horas). As complicações locais são comuns e incluem coleções de líquido peripancreático, necrose pancreática e peripancreática (estéril ou infectada), pseudocistos e necrose isolada (estéril ou infectada).

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