Abordagem
O diagnóstico de soluços é clínico e obtido principalmente de uma anamnese clínica completa. A causa subjacente dos soluços crônicos é identificada por meio de uma anamnese concentrada, do exame físico e de investigações direcionadas. Dependendo dos achados iniciais, pode ser necessário o encaminhamento a um especialista adequado para orientar investigações adicionais e iniciar o tratamento de qualquer afecção subjacente.
História clínica
Deve-se estabelecer a gravidade, a duração, os fatores predisponentes e as características dos soluços, bem como uma descrição dos episódios prévios. Os soluços são caracterizados por um som distinto, resultante do fechamento súbito da glote que interrompe a inalação abrupta secundária ao espasmo diafragmático. A duração e a intensidade dos soluços permitem a diferenciação entre soluços autolimitados benignos e crônicos; os que duram >48 horas e, normalmente, estão associados a outros sintomas e complicações são classificados como crônicos. Soluços crônicos durante o sono sugerem uma causa orgânica e podem provocar insônia, com fadiga e exaustão subsequentes durante o dia.[15] Esses problemas, por sua vez, causam comprometimento do estado de alerta e concentração, com consequências para as atividades profissionais e sociais.
Os fatores predisponentes incluem consumo excessivo de alimentos ou bebidas alcoólicas, consumo de bebidas carbonatadas, mudanças súbitas na temperatura ambiente ou gastrointestinal (por exemplo, banhos frios, consumo de bebidas quentes ou frias), agitação súbita e estresse emocional.[5]
Deve-se obter a história médica pregressa e de uso de medicamentos bem como efetuar a revisão dos sistemas. É importante obter informações sobre condições que possam afetar o arco reflexo do soluço.
A irritação dos nervos diafragmático e frênico pode ser causada por abscesso subfrênico, esplenomegalia, hepatomegalia, infarto do miocárdio, pericardite, uma hérnia de hiato, câncer esofágico ou um eletrodo anormal de um marca-passo cardíaco.
A irritação do nervo vago pode ser causada por um corpo estranho irritando a membrana timpânica, faringite, laringite, bócio ou cisto no pescoço, pneumonia, empiema, bronquite, asma, pleurite, tuberculose, câncer pulmonar, esofagite, aneurisma da aorta, cor pulmonale, mediastinite, atonia gástrica, câncer gástrico, gastrite, úlcera duodenal, pancreatite, câncer de pâncreas, abscesso intra-abdominal, obstrução intestinal, colecistite, colelitíase, colite ulcerativa, doença de Crohn, hemorragia gastrointestinal, apendicite, hepatite ou doença prostática.[6][7][8][9]
As causas do sistema nervoso central incluem lesões estruturais (neoplasia intracraniana, siringomielia, esclerose múltipla, derivação ventrículo-peritoneal), lesões vasculares (hemorragia intracraniana ou infarto, malformação arteriovenosa, insuficiência vascular), infecção (meningite, encefalite, neurossífilis, malária, herpes-zóster), trauma e epilepsia.[10][11][12]
As causas metabólicas incluem uremia, diabetes mellitus, gota, hiponatremia, hipocalcemia, hipocalemia e alcalose. Distúrbios eletrolíticos podem reduzir a inibição central do arco reflexo do soluço, causando soluços crônicos.
A quimioterapia para o câncer pode causar episódios de soluço previsíveis que podem ser problemáticos para os pacientes com câncer.[14]
Dispneia, tosse, escarro e dor torácica pleurítica indicam possível comprometimento pulmonar. O comprometimento gastrointestinal é indicado por sintomas como dor abdominal, pirose, vômitos, diarreia, icterícia, disfagia e odinofagia. Convulsões e sintomas motores e sensoriais periféricos são indicativos de possível comprometimento do sistema nervoso central. Febre, perda de peso inexplicada e sudorese noturna podem indicar uma malignidade subjacente, como câncer esofágico, de pulmão, gástrico ou de pâncreas.
Deve-se observar a presença de doenças crônicas, como diabetes mellitus, gota e insuficiência renal, e ao se obter uma história detalhada do uso de medicamentos deve-se prestar especial atenção ao uso de dexametasona, diazepam, sulfonamidas, antiepilépticos e alfa-metildopa. Deve-se estabelecer a história quanto a tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e uso de substâncias ilícitas. O comprometimento psicológico é sugerido por uma história de transtorno de personalidade, reação de conversão, neurose histérica, anorexia nervosa, choque súbito e reação de luto.[8][17]
Exame físico
O exame físico nos soluços benignos não é nada digno de nota; no entanto, pode revelar sinais da causa subjacente dos soluços crônicos.
Pode haver evidências de perda de peso e desnutrição secundários aos soluços crônicos. A avaliação da região do pescoço pode mostrar evidências de trauma ou revelar um corpo estranho no canal auditivo, rigidez da nuca, bócio ou cisto no pescoço, linfadenopatia cervical ou faringite. O exame físico do sistema respiratório pode revelar afecções como asma, pneumonia, empiema, tuberculose ou pleurite. O exame abdominal pode revelar esplenomegalia, hepatomegalia, um aneurisma da aorta abdominal ou um abdome agudo (por exemplo, colecistite, colelitíase, pancreatite, apendicite, obstrução intestinal, ruptura de uma víscera oca). O exame neurológico pode revelar evidências de acidente vascular cerebral (AVC), meningismo, encefalite ou de uma lesão com efeito de massa.[15]
Investigações laboratoriais
Deve-se realizar um perfil sanguíneo de rotina, incluindo hemograma completo, ureia e eletrólitos séricos, em todos os pacientes com soluços crônicos. A seleção de outros exames laboratoriais, como testes da função hepática, gama-glutamil transpeptidase, proteína C-reativa e velocidade de hemossedimentação, amilase sérica, uma gasometria arterial e uma análise toxicológica (incluindo álcool no sangue), é ditada pelos resultados da história clínica e do exame físico.[1]
Investigação da causa subjacente
As investigações adicionais para identificar a causa subjacente dos soluços crônicos são direcionadas pela história clínica, achados do exame físico e resultados da investigação inicial, e podem incluir a avaliação de afecções relacionadas aos sistemas cardíaco, respiratório, gastrointestinal e neurológico.
É possível realizar uma radiografia torácica, testes da função pulmonar e eletrocardiograma (ECG) a fim de identificar etiologias pulmonares, mediastinais e cardíacas (por exemplo, infarto do miocárdio, pericardite, um eletrodo anormal de um marca-passo, pneumonia, empiema, bronquite, asma, pleurite, aneurisma da aorta, tuberculose, câncer de pulmão, cor pulmonale e mediastinite) capazes de irritar os nervos frênico e vago ou o próprio diafragma.[16]
Tomografia computadorizada (TC) ou ressonância nuclear magnética (RNM) do crânio e uma punção lombar podem revelar etiologias neurológicas, inclusive lesões estruturais (neoplasia intracraniana, siringomielia, esclerose múltipla, derivação ventrículo-peritoneal), lesões vasculares (hemorragia intracraniana ou infarto, malformação arteriovenosa, insuficiência vascular), infecção (meningite, encefalite, neurossífilis, malária, herpes-zóster) e trauma.[10][11][12]
É possível realizar uma endoscopia do trato gastrointestinal superior e uma TC abdominal para identificar etiologias gastrointestinais, como esofagite, câncer esofágico, úlcera duodenal, gastrite, abscesso subfrênico, esplenomegalia, hepatomegalia, hérnia de hiato, câncer gástrico, pancreatite, câncer de pâncreas, abscesso intra-abdominal, obstrução intestinal, aneurisma da aorta abdominal, colecistite, colelitíase, colite ulcerativa, doença de Crohn, hemorragia gastrointestinal, apendicite e hepatite.
A otoscopia e a faringoscopia podem revelar um corpo estranho irritando a membrana timpânica, ou faringite, respectivamente.
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